Distritos educacionais americanos adotam matemática de Cingapura

Preocupação de que alunos não têm habilidade com números como exige a economia global levou à incorporação de técnicas cingalesas

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Franklin Lakes, um subúrbio a cerca de 30 quilômetros de Nova Jersey, é uma das dezenas de distritos, de Scarsdale, em Nova York, a Lexington, em Kentucky, que nos últimos anos adotaram a matemática de Cingapura em meio a crescentes preocupações de que muitos alunos dos Estados Unidos não têm a habilidade com números exigida por uma economia global.

Durante décadas, os esforços para melhorar a habilidade na matemática têm impulsionado as escolas a adotar um programa de matemática após o outro, abandonando um programa quando ele não funciona e passando a algo supostamente melhor. A matemática de Cingapura pode ser um modismo também, mas seus defensores dizem que ela parece responder a uma das dificuldades no ensino da matemática: todas as crianças aprendem de maneira diferente.

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Matemática de Cingapura utiliza elementos visuais para o ensino como blocos, placas e gráficos
Em contraste com os programas de matemática mais comuns nos Estados Unidos, a matemática de Cingapura dedica mais tempo a menos temas para garantir que as crianças dominem o conteúdo através de instruções detalhadas, resolução de problemas e dúvidas, a Idealmente, eles não avançam até que tenham aprendido um modulo completamente.

Histórico

A matemática de Cingapura foi desenvolvida pelo Ministério da Educação daquele país há quase 30 anos e seus livros têm sido importados para os Estados Unidos há mais de uma década. Os primeiros adeptos foram pais que ensinam seus filhos em casa e um pequeno número de escolas que já tinha ouvido falar da técnica através do boca a boca.

Hoje, ela pode ser encontrada em instituições como a Escola Pública 132, no Brooklyn, que atende crianças, principalmente pobres e de minorias, e em escolas de elite, incluindo a Escola Elementar Hunter – uma escola pública para crianças superdotadas em Manhattan – e a Escola Sidwell Friends, em Washington, uma escola privada frequentada pelas filhas do presidente Barack Obama.

Os livros e os materiais custam em média de US$ 40 a US$ 52 por aluno. Tal como acontece com outros programas de matemática, os livros podem ser substituídos a cada ano. No entanto, a formação de professores pode ser cara.

Quando o distrito de Scarsdale mudou para o método da matemática de Cingapura em suas escolas elementares em 2008, US$121 mil foram gastos apenas com livros de "matemática primária" e US$ 24.632 com os materiais dos professores.

Técnica

Bill Jackson, um dos novos professores de matemática de Scarsdale, tomava notas ao assistir a uma aula de matemática da quarta série. Durante quase uma hora, os alunos se debruçaram sobre um único número: 82.566 (número de cadeiras no Estádio Meadowlands, onde jogam o New York Giants e o New York Jets). A classe construiu uma miniversão do estádio com blocos em uma esteira, diagramando-o em uma placa inteligente e, finalmente, resolvendo questões escritas.

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Aula de matemática cingalesa na Quaker Ridge School, em Scarsdale, Nova York
Jackson disse que os alunos passam por um processo de aprendizado em três etapas: concreto, pictórico e abstrato. Os programas de matemática dos Estados Unidos, segundo ele, normalmente pulam a etapa do meio e os alunos perdem muito ao fazer o salto do concreto (blocos) ao abstrato (perguntas).

Ele começou a experimentar o método da matemática de Cingapura quando lecionava na Escola 2, em Paterson, Nova Jersey, em 2000. Os resultados dos exames foram mistos e a escola optou por substituir o método quatro anos depois. Apesar da substituição, Jackson continuou a usá-lo sempre que possível.

"Eu aprendi mais matemática com a matemática de Cingapura do que na escola ou na faculdade", ele disse.

*Por Winnie Hu

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