Distrito de Nova York decide colocar o mundo na sala de aula

NEW HYDE PARK, N.Y. - Durante quase uma décadas. a lição sobre a interconectividade do mundo - conhecida como globalização - foi banida da educação da mesma forma que da economia, gerando o surgimento de escolas temáticas internacionais, intercâmbios, clubes simuladores da ONU e festivais de herança cultural.

The New York Times |

Mas a o colégio do Distrito Herricks, no condado de Nassau, cujo corpo estudantil é mais da metade composto por asiáticos, decidiu falar sobre globalização como se faz no ensino superior, integrando estudos internacionais em cada aspecto de sua grade curricular.

Uma parceria com a Associação de Política Estrangeira transformou o porão da escola de ensino médio em um local onde os estudantes fazem pesquisas sobre o programa de energia nuclear da Coréia do Norte ou o papel do Taleban no comércio de ópio. Professores de inglês diminuíram a lista de autores que chamam de "homens brancos mortos" (como Hawthorne e Hemingway) para dar espaço a Jhumpa Lahiri, Chang-rae Lee e Khaled Hosseini. Estudantes bem-sucedidos aprendem economia comparativa analisando a produção de uma multinacional de canetas e representando países em uma simulação da cúpula do G8.

Começando esse ano, todos os estudantes do sexto ano do Colégio Herricks têm que passar por aulas de arte em francês, espanhol, italiano ou chinês, uma atitude bilíngue que a escola pretende expandir às aulas de educação física. Ao se preparar para criar uma pintura em estilo haitiano em uma das aulas de arte em francês na semana passada, os estudantes revisaram plantas indígenas e a vida selvagem nas florestas e praias do Haiti em uma apresentação.

"Pássaro", disse um menino.

"En français", pediu o professor, Tom Coleman.

"Oiseau", o menino corrigiu.

A visão global do Herricks nasceu de um investimento de US$8.4 milhões da Fundação Bill e Melinda Gates e outras em uma campanha nacional da Sociedade Asiática para criar novas escolar públicas com foco globalizado; 10 escolas foram abertas desde 2004, incluindo duas em Nova York, e outras 30 devem ser lançadas até 2013.

Em outra situação do globalismo educacional outros mais de 20 estados criaram forças tarefa ou realizaram conferências sobre a globalização nos últimos anos, contratando especialistas em relações internacionais para coordenar programas em suas escolas.

No ano passado, Indiana adotou ambiciosos novos padrões para o ensino em sala de aula do chinês, japonês e coreano, com níveis a serem atingidos do jardim da infância a 12º série.

Em Jacksonville, N.C., estudantes do ensino elementar junto com seus semelhantes em Puebla, México, escreveram um livro bilíngue e trocaram lições de astronomia como parte do projeto North Carolina in the World (Carolina do Norte no Mundo, em tradução literal) que custa US$200,000 ao ano e é financiado pelo Estado.

"A noção de conquistarmos um foco global virou moda em todo o mundo, mas quão longe isso irá ainda não se sabe", disse Anthony Jackson, que regulamenta a Rede de Estudos Internacionais na Sociedade Asiática, um grupo educacional sem fins lucrativos que estimula a criação de elos culturais entre os Estados Unidos e Ásia. "O prêmio real é pensar sobre os principais cursos e analisá-los para ver como podem ser internacionalizados".

Por exemplo, na Escola da Faculdade de Staten Island para Estudos Internacionais - uma das escolas da Sociedade Asiática - um projeto de bioquímica medindo o conteúdo calórico de um alimento foi seguido de um debate sobre a fome mundial.

Alguns especialistas em políticas estrangeiras e pais dizem que a maioria das escolas ainda engatinha e relega muito do aprendizado internacional sério a atividades extracurriculares.

Michael J. Petrilli, vice-presidente do conservador Instituto Thomas B. Fordham, alertou que as escolas americanas estão deixando de ensinar sobre a história e governo dos Estados Unidos e que não podem incluir muitos estudos globais num curriculum tão fraco.

"Nessas escolas da moda, existe uma concepção que somos todos cidadãos do mundo e que só isso importa", ele disse. "Os estudantes precisam aprender a ser americanos primeiro".

O distrito de Herricks, localizado a menos de 20 milhas de Manhattan, é formado por seis comunidades: New Hyde Park, Roslyn, Roslyn Heights, Albertson, Manhasset Hills e Williston Park.

O distrito já foi primariamente judeu, italiano e irlandês, mas mudou com o fluxo de imigrantes coreanos, indianos e chineses nos anos 1980. Hoje, segundo as autoridades, os alunos do Colégio Herricks vêm de lares onde 69 línguas diferentes são faladas, e música Bhangra da Índia é ouvida constantemente durante o recreio.

Jack Bierwirth, superintendente do colégio desde 2001, afirmou que o distrito começou a desenvolver um curriculum global não apenas por causa de sua diversidade, mas também porque os pais e professores afirmam que querem exigir mais dos alunos, que alcançaram as maiores notas em testes estaduais. "E seu você se forma sem saber onde fica o Afeganistão?", questiona Bierwirth. "É importante que o conhecimento tenha contexto com o mundo".

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