Distanciamento com Egito reformula política externa americana

Depois de dias de protestos contrários ao governo, Casa Branca ressalta a separação entre Obama e Mubarak

The New York Times |

Depois de dias de delicada diplomacia, os Estados Unidos romperam abertamente com seu aliado mais forte no mundo árabe na quarta-feira, quando o governo Obama condenou a violência usada por aliados do presidente Hosni Mubarak do Egito contra os manifestantes e pediu sua saída do poder.

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Egípcios contrários a Hosni Mubarak saíram às ruas na sexta-feira, no chamado Dia da Partida
O governo do Egito reagiu rapidamente. O Ministério das Relações Exteriores divulgou um comunicado desafiador dizendo que os pedidos de "estrangeiros têm como objetivo incitar a tumultuada situação interna no Egito” e haviam sido “rejeitados”. As autoridades egípcias deixaram claro aos jornalistas o quão irritadas estão com a postura do seu antigo aliado.

Separadamente, em uma entrevista, um alto oficial do governo egípcio falou sobre o pedido feito pelo presidente Barack Obama na noite de terça-feira para que uma transição política comece "agora" – um pedido que enfureceu o Cairo.

Mas a Casa Branca não recuou. "Quero que fique claro que o 'agora' começou ontem", disse Robert Gibbs, secretário de imprensa americano.

O governo Obama pareceu determinado na quarta-feira a ressaltar a separação entre Obama e Mubarak, outrora considerado um defensor inabalável dos Estados Unidos em uma região turbulenta, com Gibbs, mais uma vez mencionando a possibilidade de um corte da ajuda americana ao governo do Egito, caso Mubarak não deixe o poder.

"Há coisas que o governo precisa fazer", disse ele. "Há reformas que precisam ser realizadas. E há entidades de oposição que têm de ser incluídas nas conversas conforme caminhamos para eleições livres e justas".

Ruptura

A ruptura entre os Estados Unidos e Egito ilustra como as mudanças rápidas e dramáticas no Cairo estão alterando a situação política da região e a agenda de política externa do governo americano.

Além do Egito, houve revoltas nesta semana em outros aliados dos Estados Unidos na luta contra a Al-Qaeda e na longa luta para se chegar à paz no Oriente Médio. Autoridades israelenses expressaram preocupação de que saída abrupta de Mubarak possa comprometer o tratado de paz de 1979 entre o Egito e Israel.

Mesmo enquanto a Casa Branca tentava reagir ao recente surto de violência no Egito na quarta-feira, oficiais do Pentágono, do Departamento de Estado, da CIA e da Casa Branca trabalhavam em cima de diversos cenários possíveis em toda a região em um esforço para acompanhar os eventos.

Qual seria o conflito dos Estados Unidos no Iêmen se o seu facilitador, o presidente iemenita, fosse forçado a deixar o poder? Será que o sucessor de Mubarak duplicaria o seu apoio ao processo de paz no Oriente Médio? Será que as mudanças na região irão beneficiar os extremistas islâmicos, que vão tentar tirar proveito da inquietação, ou vão mostrar que os árabe seculares têm poder para uma revolta?

"Uma gama completa de eventos está sendo discutida em Washington", disse Gibbs.

*Por Helene Cooper, Mark Landler e Mark Mazzetti

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