Ativistas acusam Liu Xiaobo de difamar colegas, abandonar membros perseguidos do movimento Falun Gong e não pressionar governo

Com apenas um dia para que o Prêmio Nobel da Paz seja entregue, a especulação sobre o vencedor está em pleno vigor, com muitos defensores dos direitos humanos alegando que um dissidente chinês preso, Liu Xiaobo, despontou como o favorito.

Caso seja selecionado, Liu, um professor de literatura antiga que passou os últimos 20 anos dentro e fora das prisões chinesas por defender a reforma democrática, seria o primeiro cidadão chinês a receber o prêmio.

Protestos contra prisão de Liu Xiaobo, em Hong Kong (foto de arquivo)
AFP
Protestos contra prisão de Liu Xiaobo, em Hong Kong (foto de arquivo)
Essa possibilidade claramente alarmou Pequim, tanto que o diretor do Instituto Nobel disse na semana passada que um oficial de alto escalão do país tinha advertido que tal decisão colocaria "estresse nas relações entre Noruega e China".

Mas a ideia de selecionar Liu também provocou acusações de um contingente muito mais surpreendente: alguns de seus colegas ativistas.

Nos últimos dias, 14 dissidentes chineses, muitos deles exilados e dedicados a derrubar o Partido Comunista, têm solicitado ao comitê do Nobel que não conceda o prêmio a Liu dizendo que ele seria um laureado "impróprio".

Falun Gong

Em uma carta, eles acusam Liu de difamar colegas ativistas, abandonar membros perseguidos do movimento espiritual Falun Gong e não pressionar os líderes da China.

"Nos últimos 20 anos, seu louvor aberto ao Partido Comunista Chinês, que nunca parou de pisotear os direitos humanos, tem sido extremamente enganoso e influente", escreveram.

A carta e outros pedidos enfureceram muitos defensores dos direitos humanos, dentro e fora da China, que dizem que o ataque distorce o histórico de Liu como um defensor de longa data da mudança pacífica.

Os defensores, entre os quais está Vaclav Havel, ex-presidente checo e dissidente, diz que Liu tem sido um defensor pragmático desde 1989, quando ajudou a convencer os estudantes que ocupavam a Praça da Paz Celestial a partir quando tanques do Exército se preparavam para invadir o local.

Liu foi condenado a uma pena de 11 anos de prisão no Natal passado por seu papel na formação de um manifesto conhecido como Carta de Direitos 08, que pedia eleições diretas e o fim do poder incontestado do Partido Comunista.

"Só o fato de ele ter sido condenado a 11 anos de prisão é suficiente para responder aqueles que questionam quão crítico ele é do governo", disse Cui Weiping, influente crítico social e professor da Academia de Cinema de Pequim.

*Por Andrew Jacobs e Jonathan Ansfield

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