Dissidente e ex-candidato à presidência egípcio é libertado após mais de três anos na prisão

CAIRO, Egito - Ayman Nour, o mais proeminente político dissidente do Egito, que chegou a concorrer à presidência do país, foi inesperadamente libertado da prisão na quarta-feira depois que os Estados Unidos e governos europeus pressionaram por anos por sua liberdade.

The New York Times |

Nour, um carismático líder político que desafiou o monopólio dos partidos governantes, disse que seus mais de três anos na prisão foram abruptamente terminados quando ele foi removido de sua cela no final do dia. Ele foi levado a seu prédio, pegou o elevador até o oitavo andar e tocou a campanhia. Logo ele estava nos braços de seu filho de 17 anos, Shady.

Uma hora depois, conforme ele cumprimentava uma horda de repórteres, familiares e amigos em sua sala de estar, Nour disse: "É uma surpresa! Não havia nenhum plano anterior para isso e não houve nenhum tipo de negociação sobre nada". Ele parecia saudável e bem, surpreso e não derrotado por sua experiência. Ele disse que planeja ajudar a reconstruir seu partido político e pressionar por reformas democráticas no Egito.

"A prisão", ele afirmou, "faz dos homens heróis e símbolos".

Em uma declaração de uma frase, o procurador-geral do Egito, Abdel-Meguid Mahmoud, anunciou no final da quarta-feira que nove prisioneiros, incluindo Nour, haviam sido libertados por "motivos de saúde". Durante mais de três anos, as cortes recusaram repetidas vezes o pedido de libertação de Nour por conta de sua saúde fraca, e o presidente Hosni Mubarak disse que não poderia interferir no processo judicial.

Nour foi condenado em 2005 por forjar assinaturas em petições que havia usado para criar seu partido. O caso foi amplamente visto como tendo inclinações políticas. Ele precisava de apenas 50 assinaturas, mas entregou milhares.

Ele poderia pedir liberdade condicional em julho. Sua libertação precoce foi vista por familiares, partidários e analistas políticos como um gesto puramente político. Ele acontece em um momento de enorme pressão sobre oficiais egípcios a respeito da forma como lidaram com a crise em Gaza, e contra a prisão sumária de manifestantes, blogueiros e islamistas. Ainda que sua libertação tenha sido bem recebida, ela também foi vista como evidência de que o sistema de justiça egípcio é coordenado por decretos e não pela lei.

"Estou feliz que ele tenha saído, mas triste por perceber que o poder executivo e o presidente têm como interferir diretamente em resultados judiciais", disse Alaa Aswani, escritora e crítica da sociedade egípcia. "O presidente pode colocar alguém na prisão e perdoá-lo e então arrumar algum pretexto legal para isso. Esta é a parte triste".

A prisão de Nour acabou com o breve experimento do Egito em permitir que a oposição política florescesse. Seu partido Al Gahd havia se tornado a única oposição legal com um crescente número de seguidores contra o poder estabelecido. Em 2005 Nour conseguiu 600,000 votos em sua candidatura à presidência, ficando longe em segundo lugar atrás de Mubarak em uma disputa controlada pelo partido governista do presidente.

A mulher de Nour, Gamila Ismail, disse que estava fazendo suas compras na quarta-feira quando o porteiro do prédio ligou e disse que ela corresse para casa. Ele colocou seu marido ao telefone e ele disse, "Eu preciso da chave, eu quero ir para casa". Absolutamente chocada, ela perguntou como ele havia saído. "Eu não pulei o muro", ela disse que foi a resposta.

Em uma entrevista dois dias antes, a mulher de Nour mostrou documentos que dizia serem a prova de que o governo pretendia manter seu marido atrás das grades além de sua data de possível condicional. Ela disse que eles o acusavam de atacar guardas e médicos na prisão.

"Eles querem mantê-lo até que ele se renda e seja destruído", ela disse, enxugando lágrimas dos olhos. "Isso é interminável".

- MICHAEL SLACKMAN

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