Disputa por fronteira prejudica posição da Croácia na Otan

OBREZJE - Clientes da Kalin, uma rústica taverna de 180 anos, podem comer um jantar de porco assado aqui na Eslovênia e caminhar até o banheiro na Croácia, voltar para a Eslovênia para pagar a conta e depois jogar sinuca em solo croata enquanto bebem o brandy de pêra local.

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Plantas marcam a fronteira entre Croácia e Eslovênia

Plantas marcam a fronteira entre Croácia e Eslovênia

Isso é possível por causa de um acidente geográfico e a vaga história da região. Para evitar confusão, Sasha Kalin, o dono da taverna, pintou uma linha no meio do estabelecimento para delinear a fronteira entre a Eslovênia e a Croácia.

Do lado de fora, os clientes que ultrapassarem uma linha marcada por plantas em vasos de concreto são parados por guardas da fronteira croata.

"Estamos nos Balcãs, então todo pequeno pedaço de terra conta", disse Kalin, cujo pai é eslovaco e a mãe é croata, e acordou um dia em maio de 2004 com a notícia de que a metade eslovaca de seu restaurante fazia parte da União Europeia e a croata não.

Onde a Eslovênia termina e a Croácia começa pode parecer uma preocupação regional antiquada. Mas a definição subitamente ganhou significado geopolítico, com a disputa da fronteira que data do colapso da Iugoslávia no anos 1990 agora ameaçando atrasar o avanço leste da União Europeia e da Otan.

Em questão estão as alegações rivais sobre uma área da Baía de Piran que inclui 21m² do Mar Adriático. A Croácia quer que a fronteira seja estabelecida no meio da baía, mas os eslovacos protestam, dizendo que uma simples divisão da baía impediria seus navios de passarem para o alto mar.

A Eslovênia foi a primeira nação da antiga Iugoslávia a se unir à União Europeia, da qual a Croácia quer participar, mas a Eslovênia tenta impedir desde dezembro.

O desentendimento também ameaça atrapalhar a comemoração do 60º aniversário da Otan no mês que vem em Strasbourg, França, quando a Croácia e a Albânia devem ser admitidas na aliança.

Hoje, alguns croatas ainda jantam na Kalin, mas o dono lamenta que o ressurgimento do nacionalismo tem mantido muitas pessoas afastadas.

Em uma tarde chuvosa, dois entediados guardas da fronteira da Eslovênia se sentavam diante do restaurante. Eles podiam sentir o cheiro de porco assado sendo feito no local, mas não ousavam entrar.

"Nós nunca comemos aí", disse um deles, se recusando a informar seu nome. "Se o fizéssemos poderíamos pisar acidentalmente em território croata e causar um incidente internacional".


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