Disfarces podem ter ajudado traficante a evitar prisão na Jamaica

Christopher Coke, o homem mais procurado da Jamaica, usava uma peruca afro quando foi preso; uma peruca rosa estava em seu carro

The New York Times |

Reuters
Narcotraficante da Jamaica Christopher ¿Dudus¿ Coke veste peruca em foto divulgada por polícia (23/06/2010)
Demorou mais de um mês para que as autoridades da Jamaica encontrassem Christopher Coke, o homem mais procurado da ilha, e a peruca afro que ele usava sobre a cabeça no momento de sua captura pode explicar a demora. 

Policiais e soldados jamaicanos foram de casa em casa no mês passado em um cerco mortal à fortaleza de Coke, o bairro Jardins Tivoli , em Kingston, a capital do país, mas voltaram de mãos vazias de sua busca.

Acontece que Coke, que é procurado nos EUA por acusações que envolvem armas e drogas, parece ter-se escondido à plena luz, cruzando a ilha de um lado para o outro numa tentativa desesperada de permanecer fora do alcance da lei, de acordo com oficiais com conhecimento do seu caso.

A fotografia feita no momento da prisão de Coke, que é careca e geralmente usa barba, mostra o homem vestindo uma peruca afro sob um boné preto de beisebol.

A polícia disse ao jornal The Jamaica Observer que uma peruca rosa também havia sido encontrada no carro em que ele estava, assim como óculos femininos.

Coke foi parado pela polícia na tarde de terça-feira nos arredores de Kingston , segundo as autoridades. Ele estava em um carro com um popular líder religioso, o reverendo Al Miller, que recentemente negociou a rendição da irmã e do irmão de Coke.

Com base em escutas telefônicas, os EUA emitiram um pedido de extradição de Coke em agosto passado. Mas demorou até maio para que os jamaicanos emitissem um mandado de prisão.

O atraso causou uma crise política, com o Departamento de Estado sugerindo que elos entre o primeiro-ministro Bruce Golding e Coke, um dos homens mais poderosos da Jamaica, estavam por trás de hesitação de seu governo em entregá-lo.

Miller disse que estava levando Coke para a embaixada americana em Kingston para que se rendesse. "Ele queria ir com segurança", disse. "Ele queria ir para a Embaixada dos EUA para enfrentar as exigências de extradição."

AP
Funcionários da Agência Antidrogas dos EUA direcionam narcotraficante jamaicano Christopher "Dudus" Coke do aeroporto de Westchester County para veículo (24/06/2010)
Coke tinha motivo para se preocupar com a sua segurança. Seu pai, outro líder de gangue com elos políticos, morreu em um misterioso incêndio na prisão em 1992, enquanto esperava sua extradição para os EUA. Na terça-feira, a polícia pediu que Miller se entregasse para um interrogatório, o que ele fez na quarta-feira. Na quinta-feira, Coke foi extraditado para os EUA , onde pode ser sentenciado à prisão perpétua.

* Por Marc Lacey e Kareem Fahim

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