Discurso de Obama sobre Líbia reflete influência de assessora

Pronunciamento de presidente sobre ofensiva contra Kadafi traz defesa de direitos humanos, principal bandeira de Samantha Power

The New York Times |

Samantha Power subiu ao pódio na Universidade de Columbia na noite de segunda-feira soando rouca e parecendo desconfortável. Em duas horas, o presidente Barack Obama faria um pronunciamento à nação sobre a Líbia, e Power, a ardente defensora dos direitos humanos que agora aconselha Obama em política externa, não quis sair na frente do chefe.

"Eu não vou falar muito sobre a Líbia", começou ela, mas quando chegou a hora das perguntas ela não se conteve. "Na nossa opinião", disse, defendendo a decisão de estabelecer uma zona de exclusão aérea para impedir as atrocidades que tomavam conta do país, não fazê-lo teria sido "extremamente frio, mortal e certamente uma mancha na nossa consciência coletiva". Que o presidente tenha usado quase exatamente as mesmas palavras não foi nenhuma surpresa.

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Jornalista de guerra, Power é um dos principais conselheiros de Obama
Por quase 20 anos, desde seus dias como correspondente de guerra na Bósnia, Power tem defendido a ideia de que os países têm a obrigação moral de impedir o genocídio.

Agora, de seu novo cargo no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, ela está em uma boa posição para defender sua opinião diretamente para o comandante-em--chefe – e vê-lo traduzir suas ideias em ações.

"Ela é claramente a principal voz dos direitos humanos dentro da Casa Branca e Obama a escuta", disse Ken Roth, diretor executivo do grupo de defesa Human Rights Watch.

Power, que nasceu na Irlanda e agora tem 40 anos, age como uma espécie de banco de memória institucional sobre o genocídio. Seu livro de 2002 sobre o tema, A Problem from Hell, ganhou o Prêmio Pulitzer.

Embora ela não estivesse de nenhuma maneira sozinha na defesa de uma intervenção militar na Líbia – Hillary Rodham Clinton, a secretária de Estado, era uma voz central para essa questão – a decisão do presidente de manter esse curso representa um triunfo pessoal para Power.

É também uma dor de cabeça de relações públicas. Os críticos dizem que Power está levando os Estados Unidos para outro Iraque. Power, como Obama, foi uma voz contrário à guerra. E o American Thinker, um blog conservador, acusa Obama de deixar "a política externa" nas mãos de Power.

Power, que recusou pedidos de entrevista, está tentando manter discrição. Ela é sensível a qualquer noção de que tem uma influência desmedida sobre o presidente - a Casa Branca se esforçou na terça-feira para dizer que seu discurso ecoou o presidente e não o contrário.

Sobre a Líbia, os críticos de Power – e até mesmo alguns de seus admiradores – sugerem que ela pode estar ajudando a criar um precedente que invariavelmente irá fracassar.

"Eu acho que o que ela está fazendo é algo bom", disse Bill Nash, um general reformado do Exército que comandou as forças americanas na Bósnia e conhece Power de seu tempo em Harvard. "Mas eu suspeito que ela vê tudo em preto e branco, e o mundo real não é assim”.

Em seu discurso na Universidade de Colúmbia na noite de segunda-feira, Power não quis debater essas questões. Em vez disso, ela recitou de maneira branda a política de Obama sobre os direitos humanos.

Quando acabou, ela foi assediada por pessoas que queriam seu autógrafo em seu livro. Quando ela avistou um bando de repórteres, cobriu as têmporas com as mãos e baixou a cabeça como se quisesse dizer: sem perguntas.

*Por Sheryl Gay Stolberg

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