Diretor de cinema defende pirata de internet condenado na França

Jean-Luc Godard, 79, apoia James Climent, fotógrafo condenado a pagar 20 mil euros por violar direitos autorais musicais

The New York Times |

Um francês condenado por roubo de direitos autorais por baixar ilegalmente milhares de músicas na internet encontrou um patrono improvável: um famoso cineasta.

Jean-Luc Godard, 79, diretor de filmes como "Acossado" e "Alphaville", veio ao apoio de James Climent, um fotógrafo que enfrenta uma multa de 20 mil euros (US$ 26 mil) por violar direitos autorais musicais.

Climent, que vive em Barjac, uma pitoresca e antiga cidade de artistas e fazendeiros orgânicos na região de Gard, no sul da França, pretende levar seu caso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo. A mais alta corte francesa rejeitou o seu último apelo, em junho, se alinhando com as agências de direitos autorais de músicas que abriram a denúncia contra Climent cinco anos atrás.

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O cineasta Jean-Luc Godard, em imagem de 1995

Climent disse que Godard doou 1.000 euros para o seu fundo este mês, ajudando-o a chegar mais perto dos 5 mil euros de que precisa para cobrir os honorários dos advogados e outros custos que terá para levar seu caso ao Tribunal Europeu.

Enquanto as opiniões de Godard sobre a propriedade intelectual são amplamente compartilhadas na periferia libertária da Internet, elas podem parecer surpreendentes vindas de um diretor que, segundo a lei francesa, detém o controle editorial sobre o seu trabalho e obtém vantagem financeira dele.

No entanto, Godard, um dos pioneiros da nova onda do cinema francês na década de 1960, cujos filmes perfuraram as convenções da sociedade burguesa, claramente ainda se diverte em provocar o status quo, mesmo que isso possa lhe custar dinheiro.

O apoio de Godard a Climent acontece conforme o debate sobre o compartilhamento de arquivos se torna cada vez mais político na França.

Climent foi condenado sob leis de direitos autorais que existem há muito tempo no país. Mas agora as autoridades estão prontas para iniciar a execução de uma nova e rigorosa lei, de acordo com a qual a conexão de internet dos piratas pode ser suspensa.

“O download é um direito do cidadão”, disse Climent. “Mesmo se houver apenas uma pequena chance, há uma chance de que uma decisão favorável possa mudar as leis em toda a Europa”.

Godard ainda não comentou publicamente o caso Climent, mas ele revelou sua justificativa para se opor às leis de direitos autorais francesas em uma entrevista recente à revista cultural Les Inrockuptibles, na qual declarou: "Não existe tal coisa como a chamada propriedade intelectual".

"Direitos autorais não são viáveis ", disse Godard. "Um autor não tem direitos. Eu não tenho direitos. Tenho apenas obrigações".

Godard não pôde ser localizado, mas um associado, que insistiu no anonimato porque o diretor não o autorizou a falar em seu nome, confirmou a doação. Godard, segundo esse associado, queria fazer um gesto "simbólico” para chamar a atenção para o que descreve como o calvário de Climent.

Além do dinheiro, Climent disse ter recebido uma nota manuscrita que incluía uma foto de um modelo de um veleiro e as palavras: “Surcouf, Jean-Luc Godard” – referindo-se a Robert Surcouf, um pirata marítimo do tempo da Revolução Francesa.

* Por Eric Pfanner

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