Diocese do Brooklyn busca canonização de padre local

Morto em 1940, Bernard Quinn defendeu a igualdade racial quando a discriminação era onipresente nos EUA e na igreja

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Brooklyn, um bairro de igrejas e árvores, Walt Whitman e Woody Allen, Barbra Streisand e Mike Tyson, sempre teve pessoas distintas - exceto, talvez, em uma categoria. Ninguém do Brooklyn nunca se tornou santo.

Mas em uma missa especial em 24 de junho, o bispo Nicholas A. DiMarzio da Diocese Católica Romana do Brooklyn disse que planeja abrir algo conhecido como "inquérito canônico" para pedir a canonização de um padre do bairro, o monsenhor Bernard J. Quinn.

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Fiéis reúnem-se na Igreja de St. Peter Claver em Nova York, onde se defendeu a canonização de Bernard J. Quinn
Quinn, que morreu em 1940 aos 52 anos, defendeu a igualdade racial no momento em que a discriminação contra os negros era onipresente na América, até mesmo dentro da Igreja Católica.

No auge da Depressão, era das transmissões de rádio antissemitas e pró-fascistas do reverendo Charles E. Coughlin, Quinn encontrou resistência acentuada de alguns colegas padres quando propôs ministrar a crescente população de negros do Brooklyn, muitos deles fugitivos da opressão do sul do país ou imigrantes de países pobres do Caribe.

O inquérito em nome de Quinn é o primeiro que a diocese do Brooklyn abre desde a sua criação em 1853, de acordo com o seu porta-voz, Monsenhor E. Kieran Harrington.

Seu objetivo é analisar o histórico de sacerdócio do candidato para determinar se ele foi moralmente apto para a santidade e se o seu ministério atraiu muitas novas pessoas para a igreja.

Se os registros de Quinn passarem nos testes, a diocese deve apresentar provas de pelo menos dois milagres atribuídos a ele após sua morte. O processo de verificação de tais milagres é realizada por uma delegação do Vaticano. O papa faz a decisão final sobre a canonização e quando ela deve ocorrer.

Em 1922, com o apoio da diocese, Quinn estabeleceu a primeira igreja para católicos negros no Brooklyn, a São Pedro Claver, que ainda existe e conta entre os diplomados da sua escola paroquial com a cantora e ativista de direitos humanos Lena Horne.

Em 1928, ele fundou o primeiro orfanato da diocese para crianças negras, em uma chácara convertida em Wading River, Long Island, que era então parte da diocese.

O orfanato foi destruído em um incêndio de verão, atribuído na época ao grupo Ku Klux Klan, que atuava na região leste de Long Island e havia se oposto abertamente ao prédio do orfanato. Depois de reconstruído, o orfanato foi incendiado uma segunda vez no mesmo ano.

Mas Quinn reconstruiu o prédio uma segunda vez, agora em concreto e tijolo. O edifício, conhecido como a Orfanato Pequena Flor em homenagem a sua padroeira, Santa Teresa, continua a ser a base de operações para a o projeto Pequena Flor para Crianças e Serviços Familiares da Diocese em Nova York.

Identificar os milagres atribuídos a Quinn será uma das tarefas da nova comissão diocesana. Mas, para seus defensores, os milagres já são evidentes.

"Basta pensar na sua vida", disse Veronica Quinn, sobrinha-neta do monsenhor, "a palavra 'milagre' parece estar ali, não é mesmo?"

* Por Paul Vitello

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