Desocupação de Nova Orleans leva moradores a destinos incertos

As cerca de 40 pessoas a bordo do ônibus preto, vermelho e branco que a cidade providenciou na noite de sábado embarcaram numa jornada de pura fé. Elas não sabem quanto tempo terão que ficar longe ou mesmo se terão algo para o que voltar. Além disso, muitas horas se passariam até que soubessem para onde iam.

The New York Times |

Eles não tinham como saber que quando finalmente chegassem a seu refúgio, a cerca de 565 km, encontrariam um abrigo despreparado. Mas tinham uma idéia bem concebida do que poderia acontecer caso ficassem no caminho amplo e imprevisível do furacão Gustav.

Então, sem reclamar, se acomodaram no veículo, aproveitando a oferta do governo de transporte para os que não tem carro.

Sem dúvida, estas eram as mesmas pessoas que não tiveram como deixar a cidade antes da passagem do furacão Katrina há três anos - as que acabaram nadando, caminhando ou escalando seu caminho para a segurança e que viram muitas outras não terem a mesma sorte. Este ônibus representava uma pequena parte do esforço em evitar que alguém, não importa quão pobre, doente ou incapacitado, ficasse para trás.


Polícia patrulha ruas de Nova Orleans após toque de recolher / AFP

Qualquer um podia se dirigir aos 17 pontos de parada espalhados por Nova Orleans e pegar uma carona até o terminal de passageiros, onde entraria na fila por um ônibus, avião ou trem com destino aos abrigos da região. Na tarde de domingo, mais de 18 mil pessoas haviam sido removidas, afirmou o prefeito C. Ray Nagin.

Enquanto os passageiros se acomodavam, ninguém parecia saber para onde o ônibus seguiria. Finalmente, quando o ônibus saiu do terminal, o motorista recebeu um mapa de Cuba, Alabama, uma cidade de 322 pessoas na fronteira estadual com o Mississippi.

O ônibus chegou ao destino por volta das 2h, ou melhor, a uma ampla zona de redirecionamento armada em Cuba, onde dezenas de ônibus esperavam informações da Agência de Gerenciamento de Emergências sobre seu destino final . Este ônibus seguiria para Birmingham.

Finalmente, por volta das 6h do domingo, mais de 12 horas depois que deixou a estação de Nova Orleans o ônibus chegou ao que parecia ser a entrada de serviço do Auditório Municipal de Birmingham e os passageiros tentaram acordar para a realidade. Mas ainda não era o momento de desembarcar.

Depois de uma hora, as pessoas receberam instruções para descer do ônibus, apenas para descobrir que faziam parte de uma massa humana que formava uma fila mais parecida com uma multidão, comprimida contra a única entrada do abrigo de emergência que já estava além de sua capacidade, sem espaço ou comida.

Eventualmente um caldo foi servido e colchonetes providenciados e mais de 1.200 pessoas foram alojadas num abrigo preparado para 500.

Ainda assim, uma mulher em seu celular explicava, enquanto esperava para entrar, porque ela e a família haviam deixado a cidade. Ela soava um pouco impaciente. "Ninguém pode se arriscar a enfrentar toda aquela água", ela disse.


Imagem de satélite mostra aproximação do Gustav / AFP

- SHAILA DEWAN

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