NOVA DÉLI - Mesmo depois de uma década de galopante crescimento econômico, os índices de desnutrição infantil permanecem piores aqui do que em países da África e se mostram um paradoxo de uma orgulhosa democracia.

A China, aquela outra potência asiática, reduziu a desnutrição infantil radicalmente e agora apenas 7% de suas crianças com menos de cinco anos estão abaixo do peso. Na Índia, por outro lado, apesar do robusto crescimento econômico e boas intenções do governo, o número comparativo é de 42.5%. A desnutrição torna as crianças mais pré-dispostas à doenças e defasagem no desenvolvimento físico e intelectual para o resto de suas vidas.

Os motivos desafiam explicações simples. Os economistas e especialistas em saúde pública dizem que os números apontam uma falha na inclusão dos pobres nesta democracia. Amartya Sen, economista ganhador do prêmio Nobel, lamentou que a fome não seja uma prioridade política no país. Os gastos públicos da Índia com a saúde permanecem baixos e, em alguns lugares, o financiamento contra a desnutrição infantil é ínfimo.

Ainda que a Índia tenha o maior programa de alimentação infantil do mundo, os especialistas concordam que ele é projetado de maneira desigual e não causou grande impacto nas hordas de crianças doentes nos últimos anos.

Os US$1.3 bilhões do programa de Serviços de Desenvolvimento das Crianças, o principal projeto de combate à desnutrição na Índia, financia uma rede de cozinhas de sopa nas favelas e vilas do país.

Mas a maioria dos especialistas concorda que oferecer a nutrição adequada às mulheres grávidas e crianças de até dois anos é crucial (e o programa não lida com isso de forma adequada). Tampouco conseguiu lidar de forma eficiente com a alimentação infantil e os hábitos higiênicos.

O Programa Mundial de Alimentação reportou no mês passado que a Índia permanece o lar de mais de um quarto dos famintos do mundo, 230 milhões de pessoas no total.

Por SOMINI SENGUPTA

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