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Desemprego leva mulheres japonesas ao flerte profissional

TÓQUIO - As mulheres que servem os drinques em clubes de cavalheiros no Japão já foram discriminadas pela sociedade, que considerava seu trabalho extravagante: atenção e flerte devotados a homens desconhecidos por um preço fixo (ainda que nada sexual).

The New York Times |

Mas o serviço de hostess hoje está entre os trabalhos mais lucrativos disponíveis para mulheres e, com o Japão em recessão, as vagas são cada vez mais desejadas. As hostess estão ganhando respeitabilidade e até mesmo aclamação. A pior crise econômica do Japão desde a Segunda Guerra Mundial está mudando tradições.


As hostess fazem companhia aos homens em bares e cabarés japoneses / NYT

"Mais mulheres de diversos setores da sociedade têm procurado trabalho como hostess", disse Kentaro Miura que ajuda a gerenciar sete clubes em Kabuki-cho, distrito da luz vermelha de Tóquio. "Há menos resistência a se tornar hostess. Na realidade, agora o trabalho é visto como algo glamouroso".

Mas por trás desta tendência está uma realidade muito menos fascinante. As oportunidades de emprego para jovens mulheres, especialmente para as que não têm educação superior,  frequentemente se limita a posições de salário baixo e sem perspectivas, ou vagas temporárias.

Até mesmo antes da crise econômica, quase 70% das mulheres de idades entre 20 e 24 anos tinham empregos com poucos benefícios e pouca segurança, de acordo com uma pesquisa trabalhista do governo. A situação piorou com a recessão.

Por isso, um número crescente de mulheres japonesas parece acreditar que o trabalho como hostess, que paga facilmente US$ 100 mil ao ano, com algumas hostess famosas chegando a ganhar US$ 300 mil, faz sentido econômico.

Mesmo as hostess que trabalham apenas meio período e as que ganham menos chegam a faturar US$ 20 a hora, quase duas vezes o valor da maioria das posições temporárias.

Em uma pesquisa de 2009 com 1.154 meninas do Ensino Médio, realizada pelo Instituto de Estudos de Cultura de Tóquio, o trabalho de hostess ficou em 12º  entre as 40 profissões mais populares, à frente de profissões como funcionária pública (18) e enfermeira (22).

"Somente quando você é jovem que pode ganhar dinheiro apenas para beber com homens desconhecidos", disse Mari Hamada 17.


Beleza e juventude são essenciais para o trabalho de hostess no Japão / NYT

Clubes de cabaré

Muitos dos clubes de cabaré, ou kyabakura, são estabelecimentos de ostensivos balcões de madeira escura e almofadas de pelúcia onde os garçons de gravata-borboleta e as hostess em vestidos de gala ciceroneiam convidados que bebem vinhos absurdamente caros.

Algumas hostess trabalham para pagar sua faculdade ou por um diploma vocacional, ou para economizar para investir em seu próprio negócio.

O trabalho de hostess não envolve prostituição, embora religiosos e grupos feministas aleguem que as hostess podem ser pressionadas a manter relações sexuais com clientes e que este pode ser o ponto de entrada para a crescente indústria do submundo do sexo no Japão.

As hostess dizem que essas ocorrências são raras e que o esgotamento de uma vida noturna é o perigo mais comum da sua profissão.

Mulheres jovens são, no entanto, atraídas por histórias de Cinderela como a de Eri Momoka, uma mãe solteira que se tornou hostess e conseguiu sair da penúria e ter seu próprio programa de televisão e uma linha de roupas e acessórios.


Eri Momoka era hostess e agora tem seu programa de TV / NYT

"Eu geralmente recebo cartas de meninas jovens em idade escolar que querem ser como eu", disse Momoka, 27, entrevistada em seu famoso sapato de salto de sete polegadas. "Para uma menininha, uma hostess é como uma princesa moderna".

Até mesmo uma política do Parlamento japonês, Kazumi Ota, já foi hostess. Revelação que em outras épocas teria gerado um escândalo enorme.

Não se sabe quantas hostess  trabalham no Japão. Somente em Tóquio, cerca de 13 mil estabelecimentos oferecem entretenimento noturno com hostess (e homens hosts), incluindo clubes para membros frequentados por políticos e executivos corporativos, bem como cabarés baratos.

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