Desempregados aprendem a viver com cada vez menos nos EUA

Formas criativas tentam superar constatação triste de falta de recursos e busca por preços com centavos a menos

The New York Times |

Pessoas acostumadas a viver com pouco aprendem muitos truques para sobreviver. Por quanto tempo ignorar os avisos antes da eletricidade realmente ser desligada, por exemplo. Ou quantos dias após a data de validade estampada em um pacote de carne moída podem ser demais.

Mas as pessoas que chegam ao Centro de Convivência e Alimentação Solidária aqui muitas vezes já ficaram sem opções. E elas poderão em breve ter de aprender a ser ainda mais pobres.

É da responsabilidade da equipe do centro tentar ajudá-las a resolver este novo enigma.

"Nós já desligamos o ar condicionado e comemos os miojos de US$ 1 com o pacote de tempero", disse Jacynth Allen, que aos 47 anos encontra-se pela primeira vez entre desempregados de longa data.

Os trabalhadores de Orlando, na Flórida, estão se preparando para aumentar em cerca de 30% a quantidade de alimentos que têm disponíveis, em um exemplo das preparações ocorrendo em todo o país conforme prestadores de serviços sociais se preparam para o que esperam ser uma nova onda de pessoas necessitadas.

Seguro desemprego

Com a memória do massacre que ocorreu quando o seguro desemprego venceu durante o verão, a organização está planejando seu mais agressivo armazenamento de alimentos, juntamente com uma campanha para angariar doações e voluntários, disse Andrae Bailey, diretora-executiva.

A organização também pretende convidar agências governamentais e outras ONGs para oferecer assistência.  "Essas famílias não sabem como navegar uma crise econômica", disse ele. "O seu sistema de apoio já está esgotado. Eles não têm mais nada para vender e ninguém mais a quem pedir. E agora perderão os US$ 250 que usam para alojamento e alimentação".

É entre os corredores do centro de pães gratuitos e alimentos embalados de grandes descontos que se revela o desafio diário dos novos pobres. Tentando fazer uma refeição mesmo quando um centavo faz a diferença, é desconcertante para alguém que costumava passear pelos corredores de supermercados com apenas um interesse casual em descontos.

Como se planeja um menu com ofertas aleatórias que podem incluir um tubo de pasta de anchova, uma lata de fatias de tangerina e uma caixa de biscoitos levemente salgados esmagados?

O valor relativo das pequenas coisas que um lar necessita – sacos de lixo, creme dental – deve ser ponderado quando se pensa em comprar uma caixa extra de cereal ou um pacote de bolachas sem marca que pode amenizar a situação, mesmo que por apenas algumas mordidas.

Centavos

Troy O'Dell, 42 anos, rejeitou um lata de sopa de tomate tamanho família amassada que o banco de alimentos tinha marcado a US$ 1,29. Ele sabia que poderia obtê-la em um supermercado por US$ 0,89.

O'Dell se ressente de ter de pensar sobre o preço de uma lata de sopa. Ele é um gesseiro que nunca ficou sem trabalho e agora calcula que terá apenas mais um pagamento do seguro desemprego. Ele diz que terá de ficar ainda mais esperto para alimentar a si mesmo e sua filha de 14 anos de idade.

O cervo que abateu há poucos dias vai ajudar. Com o último pagamento de seu seguro desemprego ele pretende comprar um pacote de temperos por US$ 8 para que possa fazer 40 quilos de carne seca de cervo. "Dessa forma, ela vai durar mais tempo", disse.

*Por Kim Severson

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