Desempregado, Cheney adota postura incontrita e desenfreada

WASHINGTON - Nos três meses que se passaram desde que deixou o cargo de vice-presidente, Dick Cheney abandonou o velho roteiro de Washington que determina que ex-presidentes e seus vices devem retomar a vida civil silenciosamente. Ele usou uma série de entrevistas para dar início a uma campanha em nome de seu legado.

The New York Times |

Mesmo antes do presidente Barack Obama divulgar os memorandos secretos sobre técnicas de interrogatório aprovadas pela gestão Bush, Cheney, como parte da pesquisa de sua biografia, havia pedido que os Arquivos Nacionais abrissem dois outros documentos que, segundo ele, irão mostrar que estas técnicas conseguiram informações úteis, de acordo com sua filha, Liz, que o está ajudando a organizar e escrever o livro. Os documentos não falam sobre táticas específicas, afirmou Liz Cheney.

Quando a gestão Obama divulgou os memorandos, Cheney pediu que os arquivos acelerassem sua solicitação - e fez barulho esta semana ao anunciar isso em uma entrevista na rede Fox News.

O ex-presidente George W. Bush disse que Obama "merece meu silêncio", mas Cheney, que contou ao jornalista Sean Hannity ter falado com Bush apenas uma vez desde que deixaram a Casa Branca, não tem a mesma opinião.

"Eu acho que ele acredita que é importante deixar claro, especialmente em relação à segurança nacional, que não iremos abandonar essas políticas e que nos lembramos do fato de que estamos em guerra", disse Liz Cheney na quinta-feira. "Quando ele vê a atual gestão tomar decisões que prejudicam a segurança da nação, ele não acredita que haja nenhuma obrigação de silêncio neste caso".

Obama repudiou a gestão Bush em inúmeras ocasiões, e nas suas entrevistas, Dick Cheney retrucou. Falando ao Politico em fevereiro, ele alertou para a "alta probabilidade" de outro ataque terrorista.

Na CNN, ele sugeriu que Obama está usando a crise econômica para justificar a grande expansão do governo. Para os democratas, Cheney é a pessoa ideal para lembrar o país de todos os motivos pelos quais os republicanos perderam o cargo. "Eu acho que o país deu seu veredito no outono a respeito de Cheney e do Cheneyismo", disse David Axelrod, conselheiro sênior de Obama.

Mas alguns conservadores, sentindo-se excluídos ultimamente, são gratos pelo fato de Cheney falar o que pensa. John R. Bolton, ex-embaixador americano nas Nações Unidas, disse que depois de ter que trabalhar com as políticas de Bush, Cheney deve estar se sentindo livre.

"Chegou a hora dele ter direito a uma opinião sua novamente", disse Bolton. "Agora não existe necessidade de silêncio".

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