Desconcertante caso de espionagem causa profunda divisão na Geórgia

Fotógrafos acusados de espionar para Moscou fizeram acordo de confissão e correm risco de serem presos caso falem sobre o assunto

The New York Times |

Há duas semanas, dias após o fotógrafo Giorgi Abdaladze ter confessado a venda de documentos confidenciais para o serviço de inteligência estrangeira da Rússia, ele foi libertado sem ter sido condenado a uma pena de prisão ou mesmo a pagar uma multa.

Depois que autoridades georgianas haviam publicamente atacado Abdaladze por participar de uma campanha de espionagem, o processo judicial que o julgou em 15 dias terminou de forma tão abrupta como havia começado.

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Jornalistas e ativistas de direitos civis protestam na frente do Parlamento em Tbilisi em apoio a fotógrafos acusados de espionar para a Rússia
O breve caso contra Abdaladze e três outros fotógrafos foi desconcertante, mesmo em um período de grande ansiedade local a respeito das atividades secretas da Rússia.

Como terminou em um acordo de confissão, como a maioria dos processos criminais na Geórgia, o caso nunca será resolvido em tribunal e os quatro acusados correm risco de prisão se violarem o seu acordo ao falar sobre isso.

O caso causou uma profunda divisão na sociedade georgiana: há aqueles que acreditam que agentes russos foram capazes de se infiltrar no círculo mais próximo do presidente Mikheil Saakashvili e também quem acredita que o governo tem emaranhado pessoas inocentes em suas afirmações contra a Rússia.

Ocidente

Autoridades ocidentais, que devem decidir se irão enfrentar a Rússia a respeito de uma série de acusações feitas pela Geórgia, têm sido cautelosas em sua avaliação. "As evidências são mais circunstanciais do que diretas, mas isso não exclui a possibilidade de que haja mais por trás", disse um diplomata ocidental, que chamou o caso de "uma espécie de teste de Rorschach".

"A tragédia real é a corrosão da confiança do público nas instituições de aplicação da lei, especialmente no Sistema Judiciário", disse o diplomata, que pediu anonimato. "As pessoas nas capitais ocidentais olham para isso e dizem: ‘Será que essa paranoia foi levada a um extremo ilógico? O que vocês estão vendo que o resto de nós não vê?’."

É incomum que os acusados de crimes graves, como os do fotógrafo, escapem de prisão, levantando a questão de saber se o Estado tinha as provas para condená-lo.

Shota Utiashvili, diretor de informação e análise do Ministério do Interior da Geórgia, disse na semana passada que "de um ponto de vista moral, libertar alguém que estava fornecendo informação ao inimigo durante a guerra não parece bom."

Segundo ele, os fotógrafos haviam fornecido informações valiosas sobre as redes de espionagem e vendido um grande número de documentos confidenciais para a Rússia no passado. Em buscas realizadas em seus computadores, o Ministério do Interior foi capaz de encontrar "menos de 1%" do que foi enviado para a Rússia, disse Utiashvili.

*Por Ellen Barry

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