Desafetos dominam eleições do Parlamento europeu

BRUXELAS ¿ Políticos liberais importantes fracassaram em usar a crise econômica global para construir um novo cenário no Parlamento europeu, neste domingo, já que as votações que ocorreram em 27 países se inclinaram a apoiar coalizões centro-direita dominantes ou expressar suas insatisfações ao votar em grupos mais extremos.

The New York Times |

Ao final de quatro dias de votação, o resultado é de baixo comparecimento. Apenas 43% de cerca de 388 milhões de eleitores elegíveis participaram, refletindo o que analistas da União Europeia identificam como uma frustração e diminuição de apoio à integração europeia.

Eleitores selecionaram 736 representantes para o Parlamento europeu, uma instituição com poder de crescimento, mas com presença ainda pouco notada. Os votos são frequentemente vistos mais como barômetros de apoio de governos nacionais individuais do que indicadores de movimentos de poder.

Na Alemanha, a aliança dos partidos de centro-esquerda de Angela Merkel teve baixo desempenho em relação às eleições europeias de 2004, mas ficou bem à frente dos sociais democratas, que obteve ganhos com o liberal Partido Democrata Livre.

Mas o partido de centro-direita que governa a França, liderado pelo presidente Nicolas Sarkozy, cresceu sua parcela de votos em 12% em relação a 2004, com a queda da oposição socialista, de acordo com resultados preliminares.

O Partido Trabalhista britânico, de centro-esquerda, foi cercado de resultados desastrosos, com seus votos em algumas regiões abaixo de 9%, enfraquecendo ainda mais a posição do primeiro-ministro Gordon Brown.

Retratos

Heather Grabbe, diretor do Open Society Institute, em Bruxelas, disse que dois retratos graves das eleições foram o fracasso da esquerda em causar um impacto significativo e os avanços da extrema direita e outros partidos extremistas.

Em um tempo de crise, disse ela, as pessoas frequentemente perdem a fé no estabelecimento de partidos políticos, mas elas se moverão tipicamente para a esquerda quando houver um prospecto no aumento do desemprego, na esperança de que o Estado tomará conta deles.

Esse é uma chamada para despertar os políticos, acrescentou. As pessoas não mais acreditam na narrativa, particularmente da esquerda, de como organizar a economia e a sociedade.

A centro-esquerda está no poder na Grã-Bretanha, Espanha e Portugal e em uma coalizão na Alemanha. Ela também recebeu muita culpa pela crise econômica. Na França e na Itália, onde está na oposição, ela está se esforçando para superar divisões internas.

Em contraste, o Partido Nacional Britânico, de extrema direita, ganhou seu primeiro assento na Grã-Bretanha, e obteve ganhos nos Países Baixos, onde o partido anti-islamismo liderado por Geert Wilders ganhou cerca de 15% dos votos, de acordo com os resultados preliminares. Pesquisas de boca-de-urna previram que o Partido da Liberdade, da extrema direita da Áustria, haveria dobrado seus votos em relação a 2004, para 13%, enquanto na Dinamarca, o Partido do Povo Dinamarquês, anti-imigrante, também pode ter dobrado sua contagem de 2004.

Na Itália, pesquisas informais projetaram que o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, de centro-direita, obteve cerca de 38% dos votos, uma liderança de dois dígitos em relação à centro-esquerda, embora sua temporada de campanha tenha sido dominada pela especulação sobre a natureza de seu relacionamento com uma mulher de 18 anos.

Com a coalizão de Berlusconi, a Aliança do Norte, conhecida por sua retórica anti-imigrante, conseguiu ganhos com 10% dos votos, segundo a projeção.

Os Greens aumentaram seus votos na França, enquanto o Partido Pirata da suíça, que quer legalizar o compartilhamento de arquivo via internet e reformar a lei de patente, teria conseguido seu primeiro assento, de acordo com as previsões. Os partidos eurocéticos prosperaram, incluindo o Partido Independente do Reino Unido, que quer tirar a Grã-Bretanha da União Europeia.

Importância

Em muitas áreas políticas, o Parlamento europeu tem poder igual, em relação aos governos nacionais, para fazer novas leis para o bloco. Mas com os partidos políticos conduzindo grandes campanhas nacionais, as eleições parecem irrelevantes para muitos eleitores que sabem que seus votos podem não mudar o conjunto dos governos nacionais.

Os eleitores na Áustria, Grã-Bretanha, Bulgária, os Países Baixos, Portugal e a Espanha puniram os partidos políticos governistas pela variação dos graus da crise econômica.

Esses resultados não alteram o governo, mas nós devemos examinar seriamente o que acontecerá nos próximos dias, disse o ministro da Saúde da Grécia, Dimitris Avramopoulos, ao Mega Channel, uma rede de televisão privada, após a divulgação das pesquisas de boca-de-urna.


Por STEPHEN CASTLE


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