Depois de três meses, forças da Arábia Saudita deixarão o Bahrein

Previsão é que os 1,2 mil de soldados sauditas enviados para reprimir protestos contra a elite sunita retornem até semana que vem

The New York Times |

A Arábia Saudita vai retirar a maioria de seus 1,2 mil soldados do Bahrein até a próxima semana após uma missão de três meses para sufocar um levante contra a monarquia local.

O rei Hamad Bin Isa Al Khalifa do Bahrein pediu a ajuda da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos em meados de março para acabar com manifestações contra a elite sunita que rege o país. A maioria da população do Bahrein é xiita.

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Manifestantes contrários ao governo protestam na Praça Pérola, em Manama, Bahrein (20/2)
A intervenção ressaltou o profundo temor da Arábia Saudita de que haja protestos à sua porta e marcou um passo crucial para o que muitos vEem como uma tentativa do reino de parar a onda de manifestações pró-democracia em todo o mundo árabe.

A Arábia Saudita, que quase não tolera a dissidência, tem sua própria minoria rebelde xiita na parte oriental do país.

"Ambas as partes chegaram a uma decisão de que as tropas se retirem agora", disse um oficial do governo saudita, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a falar publicamente sobre a questão. "As tropas entraram a pedido de autoridades do país para ajudar o povo e o governo do Bahrein, e o reino não precisa mais de ajuda".

O oficial disse que a Arábia Saudita começou a retirar suas forças nesta semana e que a maioria deixaria o país na segunda-feira. Ele disse que um pequeno número permaneceria no Bahrein, mas ainda não estava claro quantos soldados ficariam para trás. Um oficial do Bahrein confirmou a notícia, mas se recusou a dar mais detalhes.

Vizinhos

Inspirados pelos egípcios e tunisianos que derrubaram seus governos autoritários, os xiitas foram às ruas do Bahrein em fevereiro. Eles exigiam mais direitos da monarquia sunita, que dizem que há muito os discrimina em questões como habitação, educação e emprego.

A revolta foi rapidamente esmagada. Pelo menos 30 manifestantes foram mortos e grupos de direitos humanos acusaram o governo do Bahrein de detenções arbitrárias, torturas e os ataques a manifestantes feridos e pessoal médico.

O rei do Bahrein impôs a lei marcial em março e convidou as tropas da Arábia Saudita e dos Emirados ao país para ajudar a esmagar os dissidentes e proteger a monarquia. A lei marcial foi revogada neste mês.

O Bahrein disse que os soldados da Arábia Saudita e dos Emirados entraram no reino sob um pacto de defesa entre os países do Conselho de Cooperação do Golfo, que também inclui Qatar, Kuwait e Omã. O país é estrategicamente importante para os Estados Unidos, porque é onde fica alocada a Quinta Frota americana.

*Por Nada Bakri

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