Depois de terremoto, japoneses sentem réplicas internas

Traumas decorrentes do pânico frente à tragédia se manifestam como tontura e ansiedade e acometem cada vez mais pessoas

The New York Times |

Aguri Suzuki, um agente imobiliário de 44 anos de idade, diz que às vezes acha o chão está tremendo, mesmo quando ele não está.

Médicos dizem que estão observando cada vez mais pessoas que estão vivenciando tais abalos fantasmas, bem como outros sintomas da "doença do terremoto", como tonturas e ansiedade.

AFP
Cidade de Kesennuma, em Miyagi, arrasada pelo terremoto seguido de tsunami no dia 11 de março
E não é por menos. Como se a ameaça de radiação de uma usina nuclear não bastasse, Tóquio e a região ao seu nordeste tem sentido diversos tremores subsequentes desde o terremoto de magnitude 9 que desencadeou um tsunami devastador em 11 de março.

Dois terremotos foram sentidos em Tóquio na manhã de quarta-feira, três na terça-feira, um grande na segunda-feira e outro na última quinta.

No geral, houve 400 tremores de magnitude 5 ou superior no nordeste do Japão desde 11 de março. Isso é o mesmo número de terremotos em um mês que o país tipicamente tem em dois anos e meio, segundo a Agência Meteorológica do Japão.

Os terremotos estão complicando os esforços para controlar o vazamento nuclear na usina Fukushima Daiichi. O terremoto de segunda-feira, por exemplo, desligou o resfriamento na usina por quase uma hora.

Cada vez que um tremor considerável ocorre, a primeira pergunta de muitas pessoas é saber se a usina nuclear ficará ainda mais danificada e se uma nuvem de radiação nova está a caminho. Um porta-voz da Tokyo Electric Power Co., empresa proprietária da usina, prontamente aparece na televisão para tranquilizar os telespectadores.

Certamente a série de terremotos não causou o mesmo pânico e fuga em massa que o medo de radiação na primeira semana após a crise nuclear. Ainda assim, com níveis de radiação no ar de Tóquio em queda acentuada desde então, algumas pessoas entrevistadas na rua disseram estar mais preocupadas com os tremores do que com a radiação.

Alguns médicos dizem que sentir o chão tremer quando ele não está tremendo é semelhante à sensação de balançar quando se chega pela primeira vez em terra após estar algum tempo em um barco.

"As pessoas estão muito sensíveis", disse Kazuhiro Soeda, um médico especialista de orelha, nariz e garganta em Utsunomiya, perto de Tóquio, que trata de vários pacientes com problemas para lidar com os tremores. "Isso é algo que eu nunca tinha visto antes".

*Por Andrew Pollack e Keith Bradsher

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