Depois de anos de caos, novo líder tem chance de estabilizar a Somália

MOGADÍSCIO, Somália - O presidente Sheik Sharif Sheik Ahmed está cercado de inimigos e é vigiado o tempo todo por soldados ugandenses. O único vislumbre que tem das ruas desertas da capital Mogadíscio é através de vidros à prova de balas de cinco centímetros de espessura.

The New York Times |

Mas, pela primeira vez em décadas (incluindo 21 anos de ditadura e os 18 anos de caos que se seguiram), o líder da Somália tem tanto o amplo apoio popular dentro do país quanto a ajuda extensa de nações estrangeiras, dizem analistas e muitos somalianos.


Presidente Sheik Sharif Sheik Ahmed / NYT

As desvantagens contra Sharif ainda são muitas, mas seu governo moderadamente islâmico é amplamente considerado a melhor chance de estabilidade que a Somália teve em anos.

"Este governo enfrentou obstáculos incomparáveis", disse Sharif, ex-professor do ensino médio que se tornou presidente em fevereiro. "Nós tivemos que lidar com grupos terroristas internacionais que criam destruição por onde passam. O plano deles era derrubar o governo para que assim assumissem o poder. O governo provou que poderia durar".

Grande parte do mundo conta com Sharif para lidar contra a pirataria e vencer a expansão do Islã militante, dois problemas somalianos que se tornaram questões geopolíticas globais.

A Al-Qaeda parece estar se aproximando de insurgentes somalianos na tentativa de transformar o país em uma base de lançamento para uma jihad global. Esta semana, comandos americanos mataram um agente da Al-Qaeda no sul da Somália durante uma ronda de helicóptero.

Os Estados Unidos estão tendo um papel cada vez mais ativo na recuperação do país, depois de anos de ambivalência a respeito da Somália. Recentemente o país enviou 40 toneladas de armas à Somália para manter o governo de Sharif vivo.


Somália busca reconstrução após décadas de conflito / NYT

Mas muitos chefes militares ainda têm elos com o Shabab, o grupo insurgente islâmico local, e vários oficiais somalianos confirmam que grande parte das armas americanas passou rapidamente para as mãos do grupo.

Se não fosse pelos 5 mil soldados da União Africana que vigiam o porto, aeroporto e a Vila Somália, muitos somalianos acreditam que o governo de Sharif cairia rapidamente.

Sharif, 43, é um político moderno para a Somália porque, para começar, ele é um político. Durante décadas, este país foi reduzido a destroços pelas mãos de generais e líderes militares.

Agora ele encontrou algo que se assemelha com uma política de centro para a Somália, uma mistura de convicções islâmicas moderadas e mais estridentes, com ênfase na religião, não no clã.

Para ajudar, ele formou um grupo intelectual de confiança com somalianos-americanos, somalianos-canadenses e somalianos-europeus com diplomas de doutorado.

"Este governo é qualitativamente diferente dos governos que vieram antes dele", disse Rashid Abdi, analista do Grupo de Crise Internacional. "Mas nós não deveríamos nos enganar, eles precisam agir depressa".

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