Departamentos de polícia americanos apelam para voluntários

Paralisada pelos orçamentos reduzidos, polícia argumenta que voluntários são imprescindíveis para lidar com pequenos crimes

The New York Times |

Roman Sarkisian passa facilmente por um agente de polícia de Fresno: cabelo escovinha, semblante fechado e comportamento "factual".

"Eu gosto da prática da lei", disse Sarkisian, 23 anos, um imigrante da República da Geórgia que está estudando criminologia na faculdade de Fresno, na Califórnia. "Eu gosto de ajudar a colocar bandidos na cadeia".

Mas Sarkisian não é um policial e não carrega uma arma. Ele é um voluntário da polícia, parte de uma experiência de departamentos de todo o país que usam amadores treinados para executar um amplo conjunto de funções que vão desde a investigação, como a coleta de provas, a entrevista de testemunhas, até a busca de pessoas desaparecidas e veículos roubados.

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O georgiano Roman Sarkasian (D), 23 anos, é um dos voluntários da polícia de Fresno
Paralisada por conta dos orçamentos reduzidos, a polícia diz que os voluntários são imprescindíveis para lidar com pequenas ofensas e permitir que os policiais juramentados se concentrem em crimes mais relevantes e criminosos mais violentos.

"Nós tínhamos a opção de interromper o processamento desses casos ou fazê-lo de uma maneira diferente", disse o chefe de polícia de Fresno, Jerry Dyer, cujo departamento perdeu mais de 300 funcionários nos últimos anos. "Eu sempre operei sob a premissa de que sem risco não há sucesso. E nesse caso eu senti que realmente não temos muito a perder".

Outros chefes de polícia enfrentando problemas de orçamento também estão usando voluntários. Em Mesa, no Arizona, um subúrbio de Phoenix, 10 deles foram treinados para processar cenas de crime, colher impressões digitais e até mesmo procurar por DNA. Em Pasadena, Califórnia, um time de aposentados combate o roubo de identidade.

Civis

Os civis há muito realizam tarefas administrativas para a polícia - existem programas de voluntariado em todo o país para cerca de 2,1 mil serviços, de acordo com a Associação Internacional dos Chefes de Polícia - e alguns departamentos utilizam os voluntários para o controle do tráfego, patrulhas e outros serviços.

Mas o uso de voluntários em investigações levanta questões legais e de responsabilidade, disse Robert Weisberg, codiretor do Centro de Justiça Criminal de Stanford. Ele sugeriu que tais programas possam oferecer abertura para que advogados de defesa suprimam provas e depoimentos de testemunhas. "Se eu fosse um advogado de defesa, certamente diria na frente do júri: 'Mas o senhor é apenas um voluntário. Você não é realmente um policial, é?'", disse Weisberg.

O procurador distrital de San Francisco, George Gascon, um antigo chefe da polícia na cidade de Mesa, disse não estar preocupado que os voluntários da polícia possam causar problemas para os promotores. "Enquanto houver uma formação adequada e supervisão no local, essa não deve ser uma fonte de preocupação", disse ele.

*Por Jesse Mckinley

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