Democratas querem reforçar a ¿história americana¿ de Obama durante convenção

WASHINGTON ¿ Uma das primeiras imagens que os espectadores irão ver da Convenção Nacional Democrata na próxima semana será a de Michelle Obama, que irá iniciar a apresentação de quatro dias do marido e de sua família em seus próprios termos.

The New York Times |

Como tudo na festa orquestrada, isso é pelo design.

Os democratas enfrentam obrigações na convenção a fim de que os eleitores se sintam mais confortáveis com a possibilidade colocar um candidato com um passado tão incomum ¿ filho de um queniano negro e uma mulher branca do Kansas, crescido no Havaí e na Indonésia ¿ e sua família na Casa Branca. Nenhum desses fatos, acreditam seus assessores, ajudam o senador Barack Obama de Illinois e sua mulher, que irá expandir seu perfil ao fazer um dos discursos de mais destaque a serem transmitidos por redes de TV.

Durante quatro dias, familiares como a mulher e a irmã de Obama darão depoimentos sobre a história tipicamente americana do candidato - segundo as palavras de um assessor - e também irão discursar partidários notáveis como o senador Edward M. Kennedy (gravação) e o ex-presidente Bill Clinton (ao vivo) que irá dar a Obama, o provável indicado democrata, a aprovação da elite do partido.   

Depoimentos e filme

Também terão destaque americanos com todas as histórias de vida, de todos os lugares do país falando sobre o apoio a Obama. Todos os preparativos, combinados com um filme dirigido por Davis Guggenheim ¿ diretor de Uma verdade inconveniente cujo pai produziu uma biografia similar de Robert F. Kennedy - retratando Obama como um candidato completamente americano, estão sendo usados na convenção para obstruir o que os membros de ambos os partidos acreditam ser a maior vulnerabilidade dos eleitores indecisos: a estranheza de Obama.

A apresentação de um candidato é uma tarefa que todos os indicados enfrentam, mas Obama enfrenta uma dificuldade a mais devido a sua raça e as dúvidas sobre seu patriotismo, seus valores e sua fé que os republicanos já tentaram vigorosamente apontar e explorar.

Obama chega à convenção ¿ efetivamente uma minissérie de quatro noites que pode atingir uma audiência de 20 milhões de pessoas ou mais ¿ com os assuntos que qualquer democrata se preocuparia em tempos de terrorismo global e dificuldades econômicas: a necessidade de fazer os eleitores enxergarem nele um potencial comandante e um possível diretor para a economia.  

"Mudança" versus "mais do mesmo"

Seus assessores disseram em entrevistas que talvez a mais importante conquista do programa inteiro seja definir a eleição nos termos de Obama ¿ mudança versus mais do mesmo ¿ daqui até o dia da votação, com a segunda noite da convenção sendo reservada para os contrastes entre Obama e o senador John McCain do Arizona, o provável indicado republicano.

O objetivo da festa da convenção é que as pessoas saiam com a idéia clara de que a escolha é entre dois candidatos e dois partidos políticos, disse Anita Dunn, estrategista da campanha de Obama.

Mas o centro da decisão está no passado dos candidatos. A história de Obama, combinada com a raça e seu nome com som estrangeiro, é um desafio que nenhum outro indicado de um partido importante enfrentou até hoje.  

Eu estou pedindo muito dos americanos, e eu sei disso, disse Obama em uma entrevista no mês passado, reconhecendo que sua dificuldade em conquistar eleitores é maior por ele ser negro. Minha biografia não é típica de um presidente americano moderno.  

Dunn afirmou que o objetivo central da noite de abertura da convenção será reforçar a trajetória americana de Obama para conquistar sua posição, enfatizando que devido ao seu passado, ele tem uma compreensão profunda dos desafios da família americana.

Com os republicanos pressionando sobre o passado religioso do democrata, os organizadores irão abrir a convenção com um encontro ecumênico. Devido aos contínuos e-mails tentando diminuir a biografia de Obama, a convenção deve incluir referências freqüentes aos valores compartilhados com a potencial família presidencial que não se parece com nenhuma família presidencial até agora.  

Na abertura, será dito, Nós seremos a família do presidente, e isso é o que representamos, disse Elijah E. Cummings, democrata de Maryland, o co-presidente da campanha de Obama no Estado. Basicamente o que ela está fazendo é dizer, Nós somos a história americana. Os americanos dizem para se educar, dar o melhor de si em tudo que fizer ¿ nós fizemos isso, e agora nós estamos prontos para ser parte do sonho de Martin Luther King.

Limite

Os assessores da campanha e conselheiros de fora, entretanto, têm brigado para saber até onde os discursos devem ir ao se referirem à raça e o histórico da candidatura, particularmente porque Obama aceita a indicação do partido no 45º aniversário do discurso do reverendo Martin Luther King, I Have a Dream (Eu tenho um sonho, em tradução literal).    

Eles temem alguma intimidação em meio a grandiosidade do discurso de aceitação de Obama no Estádio Invesco Field diante uma platéia de mais de 70 mil pessoas, o que alguns assessores de McCain estão tentando usar contra Obama ao retratá-lo como se coordenasse um culto à celebridade.  

Quando Obama discursar na última noite da convenção, ele não estará sozinho no púlpito no centro do gramado; ele estará de pé rodeado por pessoas que ele conheceu durante a campanha com a intenção de mostrar às pessoas de casa que pessoas como elas estão satisfeitas com Obama. Dez pessoas selecionadas pela campanha vindas de todos os cantos dos EUA encontrarão com Obama nos bastidores, também para medir o nível de conforto delas com o senador. 

Nesse momento, o programa da convenção terá estabelecido contato com as raízes do avô materno de Obama do Kansas e, provavelmente, o serviço dele na Segunda Guerra Mundial. O filme de Guggenheim espera impregnar os EUA.

Imediatamente depois de Obama anunciar seu vice-presidente, a convenção, que começa na próxima segunda em Denver dará ao candidato uma das maiores audiências da TV do ano. (McCain demonstrou interesse em vincular propagandas na TV durante a convenção e é esperado no programa The Tonight Show with Jay Leno da rede NBC segunda-feira a noite.)  

Por JEFF ZELENY e JIM RUTENBERG

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