Democratas do Senado tentam impedir fundos para fechamento de Guantánamo

WASHINGTON ¿ Em uma mudança abrupta, os líderes democratas do Senado disseram que não fornecerão US$ 80 milhões exigidos pelo presidente Barack Obama, para o fechamento da detenção da Baía de Guantánamo, em Cuba. A medida é uma forma de pressionar o presidente, que na quinta-feira deve esboçar seus planos para os 240 suspeitos de terrorismo ainda presos no local.

The New York Times |

Nos últimos dias, Obama enfrentou crescentes pedidos de legisladores de ambos os partidos, mas principalmente de republicanos, para explicar com mais detalhes o roteiro para o fechamento do centro de Guantánamo, e fornecer garantias de que os detidos não acabariam em solo americano, mesmo que em prisões de segurança máxima.

A ação dos democratas do Senado de tirar os US$ 80 milhões dos gastos de guerra, e o fato surpreendente de que os membros seniores do partido do próprio presidente estão expressando profundo receio quanto aos planos para os detentos, aumentaram a possibilidade de que a ordem de Obama de fechar o campo até 22 de janeiro de 2010, seja mudado ou adiado.

Guantánamo nos torna menos seguros, disse o líder majoritário do Senado, Harry Reid do Estado de Nevada, em uma coletiva de imprensa na qual estabeleceu uma base lógica para essa decisão. No entanto, essa não é a hora nem o projeto para lidar com isso. Os democratas, sob nenhuma circunstância, se moverão adiante sem um plano responsável e compreensivo partindo do presidente. Nunca permitiremos que terroristas sejam soltos nos EUA.

Os democratas do Senado disseram que ainda apoiam a decisão de Obama de fechar a prisão. Mas os legisladores não estão ansiosos para aceitar os detentos em seus Estados ou distritos.

Quando a pequena cidade de Hardin, em Montana, se ofereceu para receber os suspeitos de terrorismo em sua prisão atualmente vazia, os senadores de Montana, ambos democratas, e o deputado do Estado, um republicano, rapidamente demonstraram uma forte oposição.

Oficiais da administração de Obama indicaram que se o campo de Guantánamo for fechado, como planejado, mais de 100 ou mais prisioneiros terão de ser transportados para os Estados Unidos, incluindo 50 dos 100 que foram descritos como perigosos demais para serem soltos, mas que por muitas razões não podem ser julgados.

Dos 240 detentos, 30 tiveram permissão para serem soltos. Alguns provavelmente serão transferidos para outros países, embora outros governos estejam relutantes em aceitá-los. A Grã-Bretanha e a França aceitaram, cada um, um ex-detento. E mesmo que muitos dos 80 prisioneiros sejam julgados, ainda permanece sem esclarecimento o que acontecerá com aqueles que forem condenados e sentenciados à prisão.

Na Casa Branca, o assessor de imprensa, Robert Gibbs, disse que a administração esperava que o Congresso acabasse por liberar o dinheiro para o fechamento do campo, e sugeriu que as preocupações dos legisladores começassem a ser discutidos na quinta-feira, no discurso no qual Obama apresentará uma parte de seu plano para lidar com os detentos.

No Pentágono, um porta-voz, Geoff Morrell, disse acreditar que a administração permanece no caminho para cumprir o prazo estipulado para o fechamento da prisão. Eu não vejo nada indicando que essa data, de alguma forma, esteja em risco, disse.

Enquanto a administração se esforça em relação ao assunto, este está sendo atacado tanto pela direita quanto pela esquerda.

Os conservadores estão tentando retratar o presidente como fraco em relação à segurança nacional. Os legisladores expressaram preocupação em relação a segurança de seus eleitores, insinuando que as prisões que mantêm os criminosos americanos mais perigosos não são seguras o suficiente para suspeitos de terrorismo. Os liberais, incluindo alguns advogados de direitos humanos, criticaram muitas decisões de Obama, incluindo seu plano de ressuscitar as comissões militares criadas pela administração Bush para julgar suspeitos de terrorismo mantidos em Guantánamo.

Na terça-feira, os republicanos, incluindo o líder minoritário do Senado, Mitch McConnell, do Estado do Kentucky, que advertiu por semanas sobre os perigos do fechamento da prisão, aplaudiu a decisão dos democratas de retirar o dinheiro do projeto de gastos militares.

Em uma coletiva de imprensa, McConnell disse esperar que fosse um princípio manter o campo aberto e os perigosos suspeitos de terrorismo na ilha, onde, de acordo com ele, é o lugar ao qual pertencem. Ele apontou que nenhum prisioneiro já escapou de Guantánamo desde os ataques de 11 de setembro.

Guantánamo é o local perfeito para esses terroristas, disse McConnell. No entanto, se o presidente quiser continuar com essa decisão de fechar até janeiro próximo, obviamente eles precisam de um lugar pra ficar. E esse lugar não deve ser os Estados Unidos da América.

Na terça, os democratas do Senado admitiram prontamente que a decisão de mudar o curso, em parte refletia no sucesso dos republicanos em colocá-los na defensiva.

Mas também disseram que agiram para evitar que uma hostilidade partidária atrasasse a medida do projeto de gastos militares, necessário para financiar as guerras no Iraque e no Afeganistão, e alguns outros programas de segurança nacional até 30 de setembro.


Por DAVID M. HERSZENHORN


Leia mais sobre Guantánamo

    Leia tudo sobre: guantanamoguantánamo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG