Demissão silenciosa atinge milhares de trabalhadores nos EUA

Com o enfraquecimento da economia, chefes executivos querem que Wall Street os vejam como resistentes cortadores de custos que não têm medo de demitir funcionários. Mas grande parte das demissões não são divulgadas.

New York Times |

Grandes companhias rotineiramente realizam demissões dispersas que são pequenas o suficiente para permanecerem fora do radar, contribuindo para uma taxa de desemprego que continua a aumentar, como deve mostrar o relatório de empregabilidade mensal desta sexta-feira.

A IBM é uma destas empresas. A companhia divulgou lucros surpreendentemente fortes no primeiro quadrimestre de janeiro e em um email aos funcionários o chefe executivo Samuel J. Palmisano disse que enquanto outras companhias estão cortando os custos, a IBM não precisaria fazer isso. "Mais importante, nós investiremos nos nossos funcionários", ele escreveu.


Rick Clark, engenheiro de longa data da I.B.M. demitido recentemente

Mas no dia seguinte, mais de 1,400 funcionários do setor de vendas e distribuição nos Estados Unidos e Canadá receberam um aviso de que seu emprego seria eliminado em um mês. Mais cortes seguiram e, no total, a IBM tirou o emprego de cerca de 4,600 trabalhadores norte-americanos nas últimas semanas.

Estes cortes não divulgados, segundo especialistas do setor trabalhista, geram dúvidas sobre o tratamento dado aos trabalhadores e a divulgação dos dados pertinentes. Eles argumentam que a lei federal que regulamenta certos tipos de demissão tem que ser revisada, para que passe a cobrir cortes de emprego menores. Isso daria às pessoas mais tempo para procurar novos empregos, aconselhamento profissional e treinamento.

"Os objetivos são transparência e decência", disse Harley Shaiken, economista trabalhista da Universidade da Califórnia, Berkeley. "A questão se torna ainda mais urgente neste cenário econômico".

A lei de notificação, conhecida como Ato WARN, é um legado de uma era na qual a economia era mais dependente das indústrias e os legisladores se preocupavam com possíveis greves. Este tipo de empasse é difícil de esconder, enquanto a demissão de trabalhadores de escritórios de localidades esparsas não.

O Ato WARN exige aviso prévio de 60 dias, mas os eventos que exigem esta notificação são específicos (o fechamento de uma fábrica, a demissão de 500 ou mais funcionários ou o corte de pelo menos um terço da força de trabalho de uma única localidade).

Alguns Estados aprovaram seus próprios atos WARN para que cubram outras demissões. A Califórnia, por exemplo, agora exige uma notificação WARN quando a companhia demite 50 ou mais trabalhadores de um único local. No último mês, Nova York aprovou uma lei que exige o aviso prévio de 90 dias ao demitir 250 ou mais trabalhadores de um local.

As companhias às vezes têm motivos para demitir silenciosamente. Dependendo de como querem se mostrar aos investidores e ao público, as demissões podem não caber na mensagem.

- STEVE LOHR

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