Demanda por TV na internet aumenta na China

Para analistas, jovens usam computador para burlar censura às emissoras, enquanto governo aumenta supervisão em sites de vídeo

The New York Times |

A TV na internet chegou na China. Todo mês, cerca de 300 milhões de pessoas na China usam um computador para assistir a dramas da TV chinesa, seriados japoneses e coreanos, e até mesmo filmes e séries americanos como "Crepúsculo" e "Gossip Girl". A transmissão ao vivo da Copa do Mundo também atraiu uma imensa audiência online.

Os analistas dizem que os jovens na China estão começando a favorecer os laptop para assistir a programas gratuitamente ao invés dos aparelhos de televisão, em parte como forma de se esquivar dos reguladores que muitas vezes proíbem as redes estatais de televisão de transmitir programas que não sejam aprovados pelo Partido Comunista.

Esta é uma mudança importante nos hábitos que não passou despercebida pelas autoridades de Pequim. Elas estão aumentando a supervisão dos sites que disponibilizam vídeos online e também pressionando redes de televisão estatais para que criem suas próprias páginas em um esforço para manter o controle sobre o que os espectadores podem assistir.

Além disso, grandes portais do país e sites de buscas - incluindo o Baidu - querem estabelecer sites de vídeos concorrentes, muitos dos quais pretendem licenciar conteúdo dos Estados Unidos e de outros países.

"Todo mundo quer entrar neste mercado agora", diz Li Yifei, presidente da VivaKi, a divisão de mídia digital da gigante de publicidade Publicis Groupe. "De repente há uma mudança de atitude, porque as pessoas estão vendo muito vídeo online".

Embora a TV na internet nos Estados Unidos esteja em um estado incipiente, na China ela já atrai uma grande parcela do maior mercado online do mundo - estima-se que 400 milhões de pessoas estão na web no país. A empresa de pesquisa de mercado sediada em Xangai, iResearch, diz que a publicidade na TV na internet e em sites de vídeo deve chegar a US$ 346 mil este ano, um aumento em relação aos US$ 83 milhões gastos em 2008.

Grandes sites de vídeo como Youku, Tudou, KU6 e PPTV estão gastando de forma agressiva para obter licenças para seu conteúdo, produzir programação original e comprar a banda larga necessária para armazenar e transmitir.

Na quinta-feira, quando muitos dos líderes da indústria se reuniram na Cúpula de Mídia Digital da China, em Xangai, o futuro dos sites de vídeo foi um dos temas mais candentes.

Uma discussão semelhante está acontecendo nos Estados Unidos, onde o YouTube está procurando maneiras de ganhar dinheiro com o tráfego em um site dedicado em grande parte ao conteúdo gerado pelo usuário e o Hulu.com - a central de vídeo online gratuito criado pela NBC Universal, News Corp e Disney - também está tentando crescer.

Os anunciantes estão se aquecendo para a ideia de TV na internet.

"Costumava haver uma piada sobre a internet na comunidade de publicidade. Eles diziam: 'Nós vamos anunciar quando ela começar a parecer com a TV ", diz Michael Galgon, ex-chefe estrategista global de publicidade da Microsoft. "Bem, agora está começando a parecer como a TV".

Na China, porém, a TV na internet ocupa uma posição única em grande parte porque serve como uma alternativa para o que muitos consideram uma programação estatal limitada.

Empresas globais de mídia, como a Disney, são muitas vezes impedidas de ganhar espaço nos horários de programação televisiva e estão autorizadas a mostrar apenas um número limitado de filmes na China. A pirataria é desenfreada no país e a audiência de televisão entre os jovens está em declínio.

Isso pode explicar por que a TV na internet está crescendo na China. Enquanto a maioria dos sites de vídeos locais se concentra em conteúdo gerado pelo usuário - ou vídeos amadores postados pelos usuários - muitos desses sites têm evoluído recentemente, oferecendo conteúdo com licença, produções próprias e muitos filmes e séries de televisão pirateados que são publicados por seus usuários.

Por exemplo, alguns dos programas mais populares dos Estados Unidos, incluindo "CSI", aparecem no Youku.com e Tudou.com poucas horas depois de serem transmitidos nos Estados Unidos, geralmente com legendas em chinês.

Os analistas dizem não saber quanto do conteúdo de TV na internet é pirata, mas o fato de que muitos dos sites continuam a transmitir programas de televisão e filmes piratas é um fator complicador. A maioria dos executivos de sites de vídeo diz estar licenciando grande parte de seu conteúdo e tentando impedir que os usuários publiquem conteúdo pirata em seus sites.

"Através de vários agentes, nós compramos e vamos comprar mais conteúdo protegido por direitos autorais de outros países", disse Victor Koo, fundador e chefe-executivo do Youku. Sobre a questão da pirataria de filmes estrangeiros enviados pelos usuários, ele acrescentou que o site tem trabalhado com a Motion Picture Association of America (Associação de Cinema da América, em tradução livre) para melhorar o seu controle.

Mas alguns analistas dizem que o conteúdo ilegal é um fator importante para direcionar o tráfego da TV na internet e sites de vídeo, além de ser um tema tabu para a indústria. Ainda assim, os analistas admitem que a TV na internet e sites de vídeo estão gradualmente se movendo em direção a um conteúdo mais original e licenciado, com algumas empresas concorrendo ferozmente para comprar séries populares da televisão chinesa e coreana.

Vincent Tao, chefe-executivo da PPTV, que oferece conteúdo licenciado, disse que sua empresa transmite jogos da NBA e está produzindo dramas originais. "Vamos gastar mais para adquirir conteúdo estrangeiro", ele disse. "Nós temos agora um acordo com a Warner Brothers".

Os grandes desafios dos recém-chegados à TV na internet podem criar uma complicada batalha nos próximos anos. Por exemplo, o Baidu.com recentemente estabeleceu o Qiyi, e caso comece a direcionar a maioria das pesquisas de vídeo a seu próprio site pode prejudicar os concorrentes, uma vez que é o principal site de buscas da China.

"As agências de publicidade realmente desejam transferir seus respectivos orçamentos para sites de vídeo online, não há dúvida disso", disse Alan Yan, fundador e chefe-executivo da AdChina. "Mas, primeiro, os sites de vídeo precisam resolver alguns dos problemas de direitos autorais sobre o conteúdo".

Por David Barboza

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