Deliberação curta e tensa leva à saída de general nos EUA

A demissão de McChrystal mostra o processo de decisão de Obama: ele parece ponderado e aberto ao debate, mas é friamente decisivo

The New York Times |

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Presidente dos EUA, Barack Obama, deixa o Rose Garden da Casa Branca depois de anunciar substituição de general Stanley McChrystal (23/06/2010)
Quando acordou de manhã, o presidente Barack Obama já estava convencido. Durante as frenéticas 36 horas desde que recebeu o artigo da edição da revista Rolling Stone ameaçadoramente intitulado "The Runaway General" (O General em Fuga, em tradução livre), o presidente pesou as consequências de demitir o general Stanley A. McChrystal, cujos comentários sobre autoridades de alto escalão deram início a um incêndio político nos EUA. 

Obama, dizem os assessores, consultou conselheiros - alguns, como o secretário de Defesa Robert M. Gates, alertou para os perigos de substituí-lo, enquanto outros, como seus conselheiros políticos, achavam que ele tinha de ir.

Ele estendeu a mão para pedir o conselho de um soldado-estadista, o general aposentado Colin L. Powell. Ele identificou um possível sucessor para liderar a guerra no Afeganistão. E, então, finalmente encerrou o comando de McChrystal em uma reunião que durou apenas 20 minutos. Segundo um assessor, o general pediu desculpas , ofereceu sua renúncia e não implorou por seu trabalho.

Depois de um debate de idas e vindas entre autoridades da Casa Branca, "houve um acordo básico das mentes", disse Rahm Emanuel, chefe de gabinete da Casa Branca e uma peça importante nas deliberações.

"Isso não foi bom para a missão, as forças militares e a moral." 

Obama já forçou a saída de muitas autoridades anteriormente, incluindo o diretor de Inteligência Nacional, Dennis C. Blair, o conselheiro da Casa Branca, Gregory Craig, e mesmo o antecessor de McChrystal, o general David D. McKiernan. Mas essa é a demissão mais importante de sua presidência.

O tempo levado entre Obama ler o artigo da Rolling Stone e tomar sua decisão de aceitar a renúncia de McChrystal oferece um vislumbre sobre o processo de tomada de decisão do presidente sob estresse intenso: ele parece ponderado e aberto ao debate, mas no final é friamente decisivo.

"Ele gosta de Stan e pensa que Stan é um bom homem, um bom general e um bom soldado", disse Rahm. "Mas, como ele disse em sua declaração, isso é maior do que qualquer pessoa."

* Por Mark Landler

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