Debates mostram Sarah Palin confiante

Uma novata no cenário nacional, Palin deu poucos indícios de estar comprometida com os assuntos nacionais e internacionais atuais.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Mas uma revisão dos diversos debates que ela compareceu durante a disputa para o governo do Alasca em 2006 mostra uma pessoa diferente daquela que surgiu desde que o senador McCain indicou Palin como a candidata republicana à vice-presidência há um mês.

Palin, ex-prefeita que ficou famosa por combater condutas éticas duvidosas enquanto governadora, manteve a calma nos debates. (Foram realizados quase duas dezenas de debates nas eleições gerais do Estado; ela faltou a alguns e nem todos foram gravados.)

Ela adotou uma postura populista contra companhias de petróleo e projetou um rosto novo e realista quando os eleitores buscavam mudança. Isso fez com que ela vencesse de forma arrasadora Frank H. Murkowski, ex-governador republicano impopular, durante as primárias e o governador Tony Knowles nas eleições gerais do Estado.    

Seu estilo de debate era raramente de confronto e ela parecia confiante. Em contraste com a situação atual - quando ela parece ter desconhecimento em diversos assuntos importantes - ela demonstrava fluência em certos assuntos, particularmente sobre petróleo e gás.

Mas, como ela faz agora, Palin sempre fala em generalidades e mostra limitada aptidão para desenvolver argumentos. Suas frases eram marcadas pela repetição de palavras, pelo uso da frase aqui no Alasca e por intervalos.

John Bitney, diretor político da campanha de Palin pelo governo do Alasca e a pessoa que mais ajudou Palin a se preparar para os debates, disse que repetir as palavras era o jeito dela de fazer com que o tempo passe enquanto sua mente procura aonde ela queria chegar.  

Essas tendências podem confundir suas mensagens e levá-la a um beco sem saída linguístico. Ela geralmente não usa completamente o tempo que lhe é dado e termina suas respostas de forma repentina.

Quando foi questionada sobre as coisas básicas necessárias para governar, Palin tentou evitar coisas específicas e voltou a falar sobre suas maiores qualidades: uma filosofia conservadora e um espírito prático.

Minhas atitudes e minhas tentativas de lidar com as complexidades dos assuntos de saúde, disse ela no debate em outubro de 2006, é um esforço respeitável, responsável e positivo. Eu não acredito que o céu esteja caindo aqui no Alasca.


Postura de Palin pode prejudicá-la no debate de quinta-feira / NYT

Esses padrões podem ajudar a responder por que a campanha de McCain não negociou tanto o espaço para discussão no debate entre os candidatos à vice-presidência na quinta-feira entre Palin e Joe Biden que no debate entre os presidenciáveis na última semana.

Palin não se saiu bem em todas as vezes que foi questionada durante a disputa pelo Estado do Alasca.   

No debate de outubro de 2006, Knowles e Andrew Halcro, independentes, trabalharam juntos para pressioná-la sobre como ela pagaria pelo sistema de saúde.

Em resposta a Knowles, ela mencionou certificados de necessidade e disse que eles estavam sendo inflexíveis, criando um ambiente onde muitos cidadãos de áreas carentes estavam precisando de cuidados médicos, principalmente em alguns dos nossos maiores mercados. Ela adicionou, o Estado do Alasca precisa olhar especificamente para essa inflexibilidade que existe hoje para que atenda áreas carentes que estão no Alasca.

Ela completou: Eu não posso te dizer quanto isso diminuiria monetariamente nossos custos com a saúde, mas a competição torna todo mundo melhor, nos faz trabalhar mais duro, nos permite reduzir custos, então defendo que essa medida seja prioridade.

Knowles ficou confuso e disse que não havia entendido a resposta dela porque ela havia perdido o foco. Halcro perguntou como ela pagaria por programas de saúde de urgência.

Bem, o ponto aí, Andrew, disse é que são urgentes, e novamente digo que é uma questão de priorizar e é uma questão do governo entender que seu papel na segurança pública é o sistema de saúde, então é uma questão de prioridades.

Halcro chamou a resposta de tagarelice política.

Mas em outras situações ela deu respostas diretas que atingiram diretamente a platéia. Os candidatos foram perguntados no debate do dia 17 de agosto de 2006 por um morador do campo se eles implantariam novamente o bônus de longevidade para cidadãos idosos, um pagamento que intencionava impedir que esses cidadãos deixassem o Estado.

Não, disse Murkowski irritado. John Binkley, um terceiro candidato, disse sim.

Palin respondeu com emoção. Sim, nossos idosos preciosos, ela disse olhando para a câmera. Para aqueles que se aposentaram prematuramente, eu sinto muito que isso tenha acontecido com vocês.

Mas geralmente sua voz carrega pouca emoção. 

No tom, na maneira e às vezes até na linguagem, ela trata todos os assuntos da mesma maneira, disse Michael Carey, ex-editor do The Anchorage Daily News, em um artigo sobre Palin. Ela não dá pistas sobre quais assuntos são prioridade para ela. Sua voz é alegre, otimista, nunca estranha, mas sempre a mesma.  

Por KATHARINE Q. SEELYE

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