Debates mostram incerteza dos eleitores em relação a Obama

WASHINGTON - Os debates presidenciais entre os senadores John McCain e Barack Obama foram vistos como um confronto entre habilidade, conhecimento e apelo dos líderes dos dois principais partidos políticos dos Estados Unidos.

The New York Times |

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Mas conforme McCain e Obama se preparam para seu terceiro e último debate nesta quarta-feira na Universidade Hofstra, parece que pode haver um prisma mais instrutivo com o qual julgar estes encontros: não como uma competição entre dois homens, mas uma prolongada temporada de testes para Obama.

Ao contrário de McCain, que participa da política americana há quase uma geração (ele participou do programa "Meet the Press" 51 vezes, o segundo maior participante entre políticos, enquanto Obama participou apenas oito vezes) Obama chegou a estes debates ao mesmo tempo famoso e desconhecido. As pesquisas sugerem que ele gerou uma resposta ambígua e um pouco suspeita do público, uma impressão que McCain tentou encorajar.

Mas tudo indica ( inclusive uma pesquisa New York Times/CBS News publicada na terça-feira que mostrou Obama na frente de McCain ) que o candidato democrata conseguiu remover essas dúvidas, principalmente através dos debates.

Se isso continuar neste último debate, pode ser que a candidatura de Obama se torne o que muitos democratas queriam e os republicanos
temiam: uma reprise da candidatura de Ronald Reagan em 1980. Reagan concorreu contra o presidente Jimmy Carter até que os dois homens se confrontaram no único debate no final da campanha e os eleitores decidiram que confiavam o suficiente em Reagan para apostar num político relativamente desconhecido.


Universidade Hofstra em Hempstead (NY) se prepara para sediar o último debate / AP

"Ele parece um presidente", disse Alex Castellanos, consultor republicano que aconselhou McCain algumas vezes durante a campanha, falando sobre Obama. "A América se acostumou a vê-lo no palanque. Quanto mais o veem, mais confortáveis se sentem".

Obama "amigo de terrorista"

McCain não deve deixar que este terceiro e último debate (última vez durante a campanha que ele terá diante de si uma platéia deste
tamanho) seja perdido sem uma luta. Ele afirmou na terça-feira que fará na quarta o que não fez no último debate, que é falar sobre o relacionamento ocasional de Obama com William Ayers, ex-membro do Weather Underground. Preparando o terreno para isso, McCain criou uma propaganda mencionando o "terrorista doméstico".

Caso faça isso, a referência não será obscura. A pesquisa descobriu que 61% dos eleitores já ouviram ou leram algo sobre a relação entre Ayers e Obama; 9% mencionaram seu nome quando questionados sobre uma parceria de Obama que os preocupa.

Ainda assim, a história sugere que mencionar um grande erro de Obama (que no último ano não cometeu nenhum) ou dar início a um novo ataque pessoal ao candidato democrata fará pouco para apagar a impressão deixada por ele nos dois primeiros debates. Se isso for verdade, ele pode ter passado do padrão Reagan.

Escolha

Tanto a eleição de 1980 quanto essa ofereceram a escolha entre um candidato que intriga mas preocupa os eleitores e uma figura familiar que não é particularmente adorada mas vista como experiente em Washington. Em ambos os casos, uma questão internacional urgente estava em pauta (a crise iraniana em 1980 e a ameaça terrorista hoje) fazendo com que os eleitores estejam relutantes em correr riscos com desconhecidos. No final da campanha de 1980, no entanto, a situação explodiu.

"Depois que ele passou da questão de segurança nacional, pronto", disse Robert Shrum, consultor democrata, falando sobre Obama.

Mas Andrew Kohut, diretor do Centro de Pesquisas Pew, disse que este ano foi diferente de 1980: enquanto Obama melhorou sua imagem diante do público americano, McCain prejudicou a sua. Pesquisas mostram que ele perdeu terreno por causa de sua resposta à crise financeira e sua escolha da governadora Sarah Palin como sua vice. Ainda assim, segundo Kohut, as comparações com Reagan são pertinentes.

"Isso representa algo como um momento de revelação para Obama e queda para McCain", disse Kohut. "Não se trata apenas das pessoas se sentirem melhor em relação a Obama, como fizeram com Reagan em 1980, mas também das pessoas se sentirem piores em relação a McCain".

Outra diferença entre as duas campanhas é que em 1980 houve apenas um debate, que aconteceu na quinta-feira antes da eleição. "A disputa foi acirrada até o final", disse Tad Devine, consultor democrata. "O debate aconteceu e bum, tudo mudou".

Desta vez, o debate final acontecer três semanas antes do dia da eleição, significando que a mudança para Obama foi mais gradual e que McCain tem, pelo menos na teoria, tempo para se recuperar.

"Mas eu acho que desta vez, depois deste debate, as pessoas saberão que viram o suficiente para tomar suas decisões", disse Devine.

Por ADAM NAGOURNEY

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