Debate sobre tropas dos EUA no Iraque reflete choque de emoções

Divisão entre EUA, Iraque e entre iraquianos sobre futura presença militar americana complica retirada e planos para missão diplomática

The New York Times |

Como a guerra terminará no Iraque está se provando algo quase tão caótico quanto os últimos oito anos de combates e reconstrução do país.

AP
Marines dos EUA correm para prédio depois de detonar explosivos para abrir portão durante missão em Ramadi, Iraque (26/10/2004)
O último choque aconteceu na semana passada, quando a liderança política iraquiana passou uma mensagem surpreendente aos oficiais dos EUA: eles concordaram com a necessidade da permanência de algumas tropas militares americanas no Iraque para treinar suas forças de segurança, mas negaram imunidades legais aos soldados que atuarão no país .

As duas afirmações, que são mutuamente excludentes já que os EUA disseram que nenhum soldado permanecerá no país sem imunidade, revelam as emoções mistas de uma nação que celebrou a queda de um ditador, mas nunca abraçou a força invasora que o derrubou.

"Eles adoraram ser libertados de Saddam Hussein, mas odiaram ser ocupados por forças estrangeiras", disse Joost Hiltermann, vice-diretor de programa no International Crisis Group. "Eles sempre tiveram um conflito muito grande em relação a isso.”

Menos de três meses até que todas as tropas dos EUA sejam obrigadas a se retirar, a divisão entre EUA, Iraque e entre iraquianos sobre uma futura presença militar tem complicado a retirada e os planos para uma vasta expansão da missão diplomática do Departamento de Estado, um esforço ambicioso e caro para proteger a frágil democracia do Iraque.

Independentemente do resultado, o significado do fim da guerra é tão diferente para os EUA e para o Iraque como foi o seu início. Para oficiais americanos, ele carrega o simbolismo de cumprir uma promessa de campanha e encerrar uma guerra que causa divisão e custa caro para o presidente.

Para as elites políticas do Iraque, o momento é definido por realidades conflitantes: de um lado, a insurgência latente e uma força de segurança iraquiana que ainda precisa de ajuda estrangeira, e do outro a pressão para optar pela retirada dos americanos.

Para os iraquianos comuns, a ocupação de seu país tem sido traumática, especialmente depois de décadas de guerra, sanções e repressão brutal do Estado por parte do governo de Saddam.

Com essa dinâmica como pano de fundo, as deliberações entre os EUA e o Iraque estão travadas na questão da imunidade para os soldados que permaneçam no país.

"O povo iraquiano não esquecerá o que eles tiveram que passar, como a fome, as mortes e o deslocamento", disse Hamid al-Mutlaq, um legislador. "As atrocidades de Abu Ghraib permanecem em sua memória", referindo-se à prisão onde soldados filmaram e tiraram fotos de abusos cometidos contra prisioneiros.

*Por Tim Arango e Michael S. Schmidt

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