Debate sobre reforma do sistema de saúde não deve parar durante recesso

WASHINGTON - Com a mobilização republicana contra a reforma do sistema de saúde, o presidente Barack Obama, congressistas democratas e grande grupos de advocacia estão preparando uma ofensiva contra a indústria dos planos de saúde em agosto como parte de uma campanha coordenada para vender ao público a necessidade de reforma.

The New York Times |

O esforço será caracterizado por reuniões municipais realizadas por legisladores e pelo próprio presidente, incluindo uma passagem por Estados do oeste por Obama, esforços conjuntos para lobby e uma série de caras propagandas de televisão.

Tudo isso busca transmitir a mensagem de que reformar o sistema de saúde protegerá os consumidores ao encerrrar práticas impopulares da indústria de planos de saúde, como recusar pacientes com condições preexistentes.

"Eu acho que o que nós queremos comunicar é que isto vai dar as pessoas que já têm plano de saúde um grau de segurança e estabilidade maior, uma proteção que elas não têm hoje contra o tipo de julgamentos feitos por burocratas dos planos de saúde", disse David Axelrod, conselheiro sênior de Obama, acrescentando: "nosso trabalho é ajudar o povo a entender como isto lhe servirá melhor."

A reforma do sistema de saúde é a prioridade legislativa do presidente e pessoas de ambos os lados do debate concordam que agosto (quando os legisladores deixam Washington para medir o pulso de seus eleitores) será um mês crítico para moldar a opinião pública.

Com republicanos na frente dizendo que a legislação é uma cara aquisição do governo, os democratas decidiram que têm que responder à pergunta feita pela maioria daqueles que já são assegurados: "o que eu ganho com isso?"

Isso gerou uma campanha retórica cada vez mais severa contra a indústria dos planos de saúde, que diz favorecer uma reforma mas trabalha para derrotar o pedido de Obama por um plano de seguro administrado pelo governo para concorrer contra o setor privado.

Na sexta-feira, a oradora da Câmara Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, prometeu "barulho por toda a América" para rebater o que qualificou de "ataque sem alerta da indústria dos planos de saúde para manter o status quo".

Mas a conversa dura tem seus riscos. O grupo comercial da indústria, o América Planos de Saúde, pede que seus membros confrontem os democratas em reuniões públicas e a crescente tensão pode dificultar que o presidente consiga manter as seguradoras na mesa de negociações.

O barulho começa nesta segunda-feira, quando Kathleen Sebelius, secretário de saúde e serviços humanos, viaja para Hartford, Connecticut, para falar sobre o que a Casa Branca agora chama de "reforma dos planos de saúde".

O senador Christopher J. Dodd de Connecticut, que revelou na sexta-feira que tem câncer de próstata (e sugestivamente lembrou os americanos de sua sorte em ter um plano de saúde) estará entre os vários legisladores democratas presentes.

Também nesta segunda-feira, o senador Michael Bennet, democrata de Colorado, aparecerá com médicos, enfermeiras e pacientes no Hospital St. Joseph em Denver para debater "como procedimentos das companhias seguradores estão sobrecarregando nossos médicos, enfermeiros e pacientes", disse um porta-voz.

Ao longo do recesso, legisladores democratas irão conduzir eventos similares, coordenados com propagandas de grupos aliados.

"Entendemos que o futuro da reforma da saúde pode depender desta conversa com o povo americano ir bem nas próximas seis semanas", disse o representante Chris Van Hollen, democrata de Maryland, e assistente da oradora, que está coordenando os esforços da Câmara.

Os republicanos entendem isso e também pretendem fazer campanha contra a reforma de maneira intensiva.

Leia mais sobre sistema de saúde dos EUA

    Leia tudo sobre: euaobamasaúde

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG