Debate: McCain é desafiador, com estilo moldado dentro e fora da política

O senador John McCain, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, se dirige ao primeiro debate que acontecerá na sexta-feira como um político desafiador que mantém os instintos de piloto de guerra, preparado para derrubar seu oponente e disposto a se arriscar para isso.

The New York Times |

McCain usou técnicas consistentes em seus quase 30 debates em palco nacional: ele é um concorrente agressivo que ataca seu oponente, sorri ironicamente quando percebe vitória e sabe lidar com armas retóricas.

Pergunte a Mitt Romney, a quem McCain atingiu diversas vezes em debates durante as primárias, mas que sofreu ainda mais quando McCain erroneamente afirmou que ele favorecia uma agenda de retirada do Iraque.

Uma análise de diversos debates dos quais McCain participou mostra que ele é mais autêntico e confortável quando o assunto é política externa. Num golpe de sorte, o assunto do debate de sexta-feira, o primeiro de três debates de 90 minutos entre ele e o candidato democrata, o senador Barack Obama, é exatamente este.

Os eleitores dão pontos mais altos a McCain como comandante da nação e Obama deve esperar que o republicano questione suas qualificações para o cargo sempre que puder (e distorça suas posições, como Romney insistiu que ele fez).

McCain deve levar a conversa, como fez em debates anteriores, ao tema de sua prisão no Vietnã. Essa experiência moldou sua vida e é o princípio de sua identidade política.

Ele usa sentenças curtas e verbos ativos para projetar força e consegue se relacionar com o público de forma realista usando linguagem comum. McCain era um dos 10 republicanos presentes no palco dos debates durante as primárias em maio de 2007, mas conseguiu se destacar com uma afirmação vívida: dizendo que faria "o que fosse preciso" para capturar Osama bin Laden. Ele chegou a declarar: "Eu o seguirei até os portões do inferno".

Mas aquele debate também mostrou que a apresentação de McCain pode não ser estável. Ele gaguejou algumas vezes, pareceu confuso em diversas questões e foi lento em responder, usando o tempo para consertar respostas anteriores.

"A principal fraqueza de McCain é parecer engessado e quando está fora de sua zona de conforto, suas palavras se tornam fracas e a forma como escapa de certas perguntas fica mais óbvia", afirmou David Lanoue, cientista político da Universidade do Alabama e especialista em debates presidenciais.

- KATHARINE Q. SEELYE

Leia mais sobre eleições nos EUA

    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG