De olho na China, Estados Unidos fortalecem laços com Vietnã

Independentemente das suas relações com a China, os dois ex-inimigos de guerra têm se tornado cada vez mais próximos

The New York Times |

A visita de Robert Gates, secretário da Defesa dos Estados Unidos, ao Vietnã na semana passada é apenas o último passo em um processo de relacionamento bilateral que está no auge desde que as relações diplomáticas foram estabelecidas há 15 anos.

A progressão constante de gestos cuidadosos acabou com as inimizades decorrentes da Guerra do Vietnã, construiu uma base de confiança crescente e desviou, em grande parte, a atenção das duas nações de questões do passado para o presente.

AFP
Gates (D) com o ministro da Defesa vietnamita, Phung Quang Thanh (12/10/2010)
Essa é a segunda visita de um americano de alto escalão ao Vietnã em quatro meses – a secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, esteve no país em julho. O encontro de oficiais de níveis mais baixos se tornou quase uma rotina. "Eu diria que as relações estão em seu ponto mais alto em 15 anos", disse Hung M. Nguyen, diretor do Instituto Indochina da Universidade George Mason em Fairfax, Virgínia. "Nós basicamente removemos os principais obstáculos de suspeitas militares e esperamos que as coisas continuem a melhorar com rapidez", disse.

Alianças

A principal preocupação compartilhada pelos dois países ressalta mudanças em alianças feitas nos 35 anos desde que a guerra chegou ao fim: a demanda chinesa pelo Mar da China Meridional.

Esse é um problema com alguns paradoxos históricos. Enquanto durante a guerra os Estados Unidos procuraram conter a expansão do comunismo chinês no Vietnã, hoje o país está alinhado com o Vietnã buscando conter a escalada de revindicações marítimas da China.

Em março, a China elevou o nível de sua revindicação territorial afirmando que o Mar da China Meridional era uma "preocupação central", uma afirmação que colocou a questão em pé de igualdade com Taiwan e Tibete, seus interesses territoriais mais politicamente controversos.

Posição

Em resposta, durante uma visita a Hanói, em julho, Clinton endureceu a posição de Washington, dizendo que os Estados Unidos tinham um "interesse nacional" na liberdade de navegação na área.

Ao equilibrar as suas relações entre as duas grandes potências, o Vietnã tem se esforçado para tranquilizar a China, o gigante à sua porta, de que não terá alianças, bases militares ou coligações militares que ameacem o país.

Seguindo uma linha cuidadosa, o Vietnã insiste que as suas políticas para as duas nações são independentes umas das outras. "Você não deve olhar para relacionamento do Vietnã com os Estados Unidos através do prisma da China", disse Nguyen Nam Duong, pesquisador da Academia Diplomática do Vietnã, um ramo do Ministério dos Negócios Estrangeiros. "O Vietnã terá relações independentes tanto com os Estados Unidos quanto com a China, e queremos separar essas relações umas das outras", disse.

Inimigos

Independentemente das suas relações com a China, os dois ex-inimigos de guerra têm se tornado cada vez mais próximos. As relações comerciais foram normalizados em 2006. Paradas de navios da Marinha dos Estados Unidos se tornaram mais frequentes nos portos do país desde 2003.
"É um ritmo muito deliberado que está sendo mantido aqui", disse Carlyle Thayer, especialista no Vietnã pela Academia de Defesa Australiana da Universidade de New South Wales, em Sidney. "Nenhum dos lados quer ser usado pelo outro, mas ambos querem avançar a relação", disse.

*Por Seth Mydans

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