Das revistas em quadrinhos para a decolagem no jardim

OSHKOSH ¿ Levantar do solo usando um jato portátil é abastecer sonhos. Sonhos muito, muito barulhentos.

The New York Times |


Glenn Martin apresentou nesta terça-feira seu jato pessoal / AP

Nesta terça-feira, um inventor da Nova Zelândia planeja revelar o que ele chama de o primeiro jato prático do mundo durante o EAA AirVenture, um gigante e anual show aéreo da região. O inventor, Glenn Martin, 48, que gastou 27 anos desenvolvendo o dispositivo, disse que espera começar a vender o aparelho ano que vem por U$100 mil cada.  

Não existe nada que chegue próximo do que esse jato permite, disse Robert J. Thompson, diretor do Centro Bleier para Televisão e Cultura Popular da Universidade da Syracuse. Ele disse que esse é um dos maiores desejos que o ser humano ainda não realizou. 

Para Martin, o jato portátil é resultado de um sonho que começou quando ainda tinha 5 anos e morava em Dunedin, Nova Zelândia. Para aqueles que ainda se lembram dos sonhos infantis de voar, possíveis apenas nas visões das histórias em quadrinhos do século 21, o jato apresenta a possibilidade de realizar o desejo daqueles que esperam pelos tão prometidos presentes da tecnologia.

Buck Rogers e James Bond usavam jatos portáteis, e desde 1960 muitos jatos reais foram desenhados usando materiais como metal, plástico e propulsor. Nenhum voou mais que um minuto. A máquina de Martin pode voar por 30 minutos.  

Divulgação
Jato portátil realiza o sonho de quem quer voar
Jato portátil realiza o
sonho de quem quer voar
Em um primeiro momento, embalada na parte de trás da van de Martin usada para levá-la ao show aéreo, admito que a máquina não se parece com aquelas dos clássicos da ficção científica. Ela tem cerca de 1,5 metro e seus discos estão encaixados em dois grandes tubos que parecem bolinhos assados em forma de xícara. Martin conseguiu fazer o futuro parecer ao mesmo tempo polido e brega.

Se alguém disser, eu não vou comprar um jato até que ele fique do tamanho de uma mochila e tenha turbinas, tudo bem, disse. Mas então essa pessoa nunca vai voar com um jato portátil na vida.  

Para deixar claro, esse não é um jato. Se você é muito detalhista, reconhece Martin, esse é sim um pistão movido a gasolina que faz funcionar dois grandes discos. Jet Skis, aponta, não são jatos, e as correntes de ar são criadas por motores. Essa coisa voa por um jato de ar, disse. Ou simplesmente voa.

Teste

Em dois testes realizados no jardim de um amigo de Martin, o jato saltou do solo como se estivesse impaciente para entrar em movimento, espalhando uma fumaça suja e pedaços de grama.

Com dois discos de assustadores 200 cavalos de potência nos meus ombros e lâminas rangendo feito armadura de pás de ventiladores, parecia que eu mesmo estava fazendo a decolagem, com músculos que eu não sabia que tinha. Senti como se estivesse vivendo no futuro ¿ e, ainda melhor, o futuro que imaginávamos tempos atrás quando ele era uma coisa a ser esperada e não temida. 

Pressionando a alavanca direita para frente, o lançamento começa suave e o jato avança alguns metros do gramado. Martin e um colega seguram o equipamento em uma espécie de corrimão e correm ao lado como pais que ensinam os filhos a andar com a bicicleta sem rodinhas. 

Então, uma curva se aproxima, e Martin me joga para a direita para evitar algum equipamento no chão, trazendo a jato para muito próximo de uma árvore. O limbo foi sugado pelos discos por um breve, mas nauseante barulho, como se uma batedeira tentasse fazer uma margarita com galhos. Por sorte, Martin guardou algumas partesm do equipamento e montou uma oficina para substituir o disco danificado. 

Martin começou a transformar seu sonho em realidade ainda na faculdade. Enquanto estudava bioquímica, desenvolvia na biblioteca um estudo detalhado sobre propulsão e pesquisava a metodologia dos irmãos Wright. Mais tarde, trabalhou em indústrias farmacêuticas e de biotecnologia, mas muito do dinheiro que ganhava ia direto para o trabalho que realizava na garagem de casa. Ele criou uma rede de entusiastas que o ajudaram a desenvolver suas idéias.  

Estrutura

A atual versão do produto, a 11º, pesa aproximadamente 113 quilos e fornece 272 quilos de propulsão. Inclui dispositivos de segurança como o chamado pára-quedas balístico que contém um pequeno explosivo carregado para um veloz posicionamento estratégico em qualquer caso de emergência ¿ como aqueles usados em pequenos aviões.

O pedestal que forma o suporte principal do dispositivo tem um mecanismo que absorve impacto para que a aterrissagem seja suave. O peso da máquina e do corpo da pessoa estão localizados abaixo dos discos para criar uma efeito de pêndulo que desencoraja o aparelho a inclinar para cima e para baixo, criando o efeito conhecido como dardo ao solo.   

As pessoas me perguntam se isso é seguro, contou Martin. Segurança é um conceito relativo. Acredito que fizemos o possível para que esse seja o jato portátil mais seguro já construído. Mas reconhece que não é de altíssimo nível. 

Eu não posso ficar pensando que em algum lugar, alguém vai ter uma experiência muito ruim.

Até agora, disse, ele e sua equipe não lançaram o equipamento para mais de 1,8 metro. Essa é uma marca proposital, alegou Martin, para assegurar o controle total da invenção antes de testar marcas mais altas. Se você pode voar a três metros, você pode voar a três mil, disse. 

Somente 12 pessoas voaram no jato e ninguém ganhou mais que três horas no ar. Martin planeja levantar 150 metros do chão em seis meses.  Dessa vez, disse com um sorriso, ele será o primeiro.

Martin disse não ter idéia sobre como sua invenção será usada no fim das contas, mas ele tem ambições. Repete a história de Benjamin Franklin, quando o primeiro balão de ar quente foi visto e ele foi questionado: Para que serve isso?. Franklin teria respondido, para que serve um bebê recém-nascido?

Por JOHN SCHWARTZ

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