Danos cerebrais fazem com que entes queridos pareçam impostores

WEEDSPORT, N.Y. - Adam Lepak olhou para sua mãe e disse: você é uma impostora.

The New York Times |

Era tarde de uma terça-feira de julho e Cindy Lepak podia ver que seu filho de 19 anos estava exausto. Dias longos como este, com horas de terapia física e exercícios de memória (repetindo "Eu sofri um acidente de moto, eu bati minha cabeça e tenho dificuldade em lembrar de coisas novas, eu sofri um acidente de moto") geralmente geram este tipo de acusações.


Adam Lepak faz terapia com amigos antigos para reativar memória / NYT

"O que você quer dizer com 'impostora', Adam?", ela perguntou.

Ele baixou a cabeça. "Você não é minha mãe de verdade", ele disse. Sua voz mudou. "Eu tenho dó de você, Cindy Lepak. Você vive neste mundo. Você não vive no mundo real".

Os médicos sabem há quase 100 anos que um pequeno número de pacientes psiquiátricos se torna profundamente desconfiado de seus amigos e parentes mais próximos, chegando a romper laços com eles permanentemente.

Agora, um grupo de cientistas cerebrais investiga síndromes de indentificação incorreta, conhecidas como ilusões, em busca de pistas a respeito de um dos problemas mais confusos da ciência do cérebro: a identidade. Como e onde o cérebro mantém o "ser"?

O que os pesquisadores descobriram até agora é que não há um "único lugar de identidade" no cérebro. Aprender o que faz a identidade, segundo os pesquisadores, ajudará os médicos a entenderem como algumas pessoas preservam suas identidades diante da demência, e como outras, que combatem danos como Adam, às vezes conseguem reconstituir a sua.

Pesquisadores que registraram imagens de cérebros conforme processam informação relacionadas à identidade pessoal notaram algumas áreas particularmente ativas. As áreas frontais e medianas se comunicam com regiões do cérebro que processam a memória e as emoções, nos lóbulos temporais medianos.

Estudos sugerem que em ilusões de identidade, estes centros de emoção ou não estão bem conectados à áreas do lóbulo frontal ou não fornecem informações suficientes.

A mãe parece e soa exatamente como a mãe, mas a sensação da sua presença está perdida.


Adam Lepak (centro) acredita que a mãe é uma "impostora" / NYT

Em uma análise de casos deste tipo publicada em janeiro no jornal Neurology, Dr. Orrin Devinsky, neurologista da Universidade de Nova York, documentou que pessoas com problemas de identificação geralmente têm mais danos no hemisfério direito do que no esquerdo.

O raciocínio linear e o idioma tendem a ser predominantemente funções do hemisfério esquerdo, enquanto julgamentos holísticos (de entonação e ênfase) são processados no direito.

Devinsky argumenta que quando as pessoas não têm um brilho emocional familiar na companhia de um pai ou parente, o hemisfério esquerdo, controlado por uma sensação não funcional, soluciona o conflito com lógica. A pessoa deve ser uma impostora.

"E se você tem outros danos nas áreas corticais que verificam a realidade, que fazem julgamentos sobre o que é certo e errado então você não tem como corrigir este erro", disse Devinsky.

Leia mais sobre danos cerebrais

    Leia tudo sobre: cérebro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG