Dança desengonçada vira febre na internet

Não existe uma parada de sucessos para os vídeos publicados na internet. Caso houvesse, no topo poderia estar essa produção de quatro minutos e meio chamada Dancing, que já foi vista por mais de 4 milhões de pessoas no YouTube (e possivelmente outro milhão em sites similares) em duas semanas desde que surgiu na rede. Esse é o equivalente online de um sucesso platina, passando de um computador a outro como um vírus.

The New York Times |

O título não engana. "Dancing" (Dançando, em tradução literal) mostra um homem dançando: grande, vestindo shorts e botas de montanhismo, ele sacode os braços e mexe as pernas de um jeito que pode ser qualificado como desengonçado. Esse é o tipo de dança semi-irônica que meninos fazem sozinhos no baile da escola quando têm vergonha demais de compartilhar a música com uma garota.

O dançarino é Matt Harding, 31, criador do vídeo que aparece sorrindo e saltitando, ao som de uma música especialmente new-age, em 69 lugares diferentes, entre eles Índia, Kuwait, Butão, Tonga e o Centro Espacial Nellis em Nevada, onde ele dança sob efeito da gravidade zero.

Ele começou no trabalho, há anos, quando vivia em Brisbane, Austrália. "Eu dançava na hora do almoço ou durante alguma pausa estranha ou simplesmente para irritar as pessoas", disse Harding. "Era quase como um tique nervoso".

Agora ele está nas ruas de Bombaim em um minuto, balançando numa gigantesca formação rochosa na Irlanda do Norte no próximo e num campo de tulipas na Holanda ou diante de um gêiser na Islândia. Às vezes Harding dança sozinho. Numa praia da Ilha Christmas ele teve uma platéia de caranguejos e em Madagascar ele se apresentou para guaxinins.

Mas geralmente (e o sucesso do vídeo se deve em parte a isso) ele é acompanhado por outros: crianças de rua de Soweto, caçadores da Nova Guinéia, bailarinos do estilo Bollywood na Índia, garçonetes estranhamente vestidas em Tóquio, multidões de pessoas livres em Paris, Madrid e na chuvosa Montreal, todos copiando, ou tentando, seu estilo frango desengonçado. Harding chegou a dançar para um único policial militar (que não se moveu) na zona desmilitarizada coreana.

De muitas formas "Dancing" é quase uma peça perfeita de arte da internet: é curto, estranhamente prazeroso e tão mínimo em seu conteúdo que está aberto a uma multitude de interpretações. Pode ser um pouco comercial para a união do mundo em torno de algo que faz com que nos sintamos bem. Pode ser uma alegoria da política estrangeira americana: um turista intrusivo que aparece em todos os cantos do mundo respondendo apenas a sua música interior. Ou pode não ser nada além de um homem dançando.

Seja qual for sua interpretação, é impossível assistir "Dancing" por algum tempo sem se sentir mais feliz. A música (de Gary Schyman, um amigo de Harding, criada sobre um poema de Rabindranath Tagore, cantada em bengali por Palbasha Siddique, uma indiana de 17 anos originária de Bangladesh que agora vive em Minneapolis) é fácil e gruda na sua cabeça. O cenário geralmente é lindo.

Há algo doce e energético a respeito do espetáculo de todas essas nacionalidades diferentes, pessoas de quase todas as idades e cores, dançando junto com um pateta desinibido.

Sem surpresa, as crianças são as que se entregam mais facilmente à energia contagiante de Harding. Por outro lado, geralmente há um adulto (especialmente na fila da frente) que faz um tolo de si mesmo.

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