Dados sobre desemprego podem ser decisivos para reeleição de Obama

Apesar de diminuição de pessoas sem emprego, Fed diz estar no limite e Congresso faz pouco progresso em relação a cortes de gastos

The New York Times |

Nenhum presidente americano desde Franklin Delano Roosevelt conquistou um segundo mandato quando a taxa de desemprego no dia da eleição superava 7,2%.

Dezessete meses antes das próximas eleições, está cada vez mais claro que o presidente Barack Obama precisará desafiar essa tendência para manter seu emprego.

Cerca de 9% dos americanos que querem trabalhar não conseguem uma vaga. As empresas estão demitindo menos pessoas, mas a contratação ainda é anêmica no país. E a grande maioria dos analistas econômicos, incluindo os próprios conselheiros do presidente, preveem apenas progressos modestos até novembro de 2012.

AP
Obama visita complexo da Chrysler em Toledo, Ohio (3/6/2011)
Os números mais recentes sobre o desemprego podem sugerir novos motivos de preocupação. Outros indicadores sugerem que o ritmo de crescimento está diminuindo. Os números fracos das indústrias, uma leitura sombria sobre o emprego e uma queda nas vendas de automóveis levou os mercados a seu pior patamar desde agosto. Mas a dura realidade do desemprego generalizado está atraindo pouca resposta de Washington.

O Federal Reserve, banco central do país, afirma estar no limite. Há ainda menos razões para esperar uma ação por parte do Congresso. Tanto democratas quanto republicanos veem passos claros para criar empregos, mas eles estão caminhando em direções opostas e fazendo pouco progresso individualmente.

Os republicanos estabeleceram os termos do debate, ao pressionar por grandes cortes nos gastos federais, que dizem que vai encorajar o investimento privado. Os democratas se viram lutando para minimizar e adiar esses cortes, que temem causar novas demissões.

Gastos

Durante uma reunião na Casa Branca na quarta-feira os republicanos da Câmara disseram ao presidente que não apoiariam novos gastos para estimular o crescimento.

"A discussão se concentrou realmente na diferença filosófica sobre se Washington deve continuar a injetar dinheiro na economia ou se devemos dar um incentivo para os empresários e as pequenas empresas crescerem", disse Eric Cantor, líder da maioria republicana na Casa. "O presidente falou sobre a nossa necessidade de continuar a citar o investimento do ponto de vista de Washington e para muitos de nós isso quer dizer mais gastos em Washington, algo com o que não podemos arcar agora".

A Casa Branca, com suas possibilidades limitadas pela paralisação, não ofereceu novos planos grandiosos. Depois de concordar em estender os cortes de impostos da era Bush e reduzir o imposto sobre os salários em dezembro passado, o governo tem se concentrado em ideias menores, como a racionalização da tributação das empresas e o aumento nas exportações dos Estados Unidos para a Ásia e América Latina.

"É uma situação muito difícil", disse Jared Bernstein, que até abril era conselheiro de política econômica do vice-presidente Joe Biden. "Existe algum apetite político para algo que se assemelhe à outro grande estímulo keynesiano? Obviamente não. Você pode dizer que é o que devemos fazer e você provavelmente estaria certo, mas isso tudo é muito acadêmico".

Mais de 13,7 milhões de americanos foram incapazes de encontrar trabalho em abril, a maioria estava em busca de emprego a mais de um mês. Milhões de pessoas pararam de tentar. A sua incapacidade de ganhar dinheiro é uma catástrofe pessoal; estudos mostram que a chance de encontrar um novo trabalho diminui com o tempo. É também um problema para suas famílias, instituições beneficentes e programas públicos de apoio.

O Federal Reserve tem os meios para reduzir o desemprego, injetando dinheiro na economia.Quando os mercados financeiros quase entraram em colapso em 2008, o Fed desencadeou uma série de programas sem precedentes, em primeiro lugar para interromper a crise e, em seguida, para promover a recuperação, investindo mais de US$ 2 trilhões. A prestação final, um programa de compra de títulos de US$ 600 bilhões termina em junho.

Agora, porém, os dirigentes do Fed dizem que estão relutantes em fazer mais. Segundo o presidente Ben S. Bernanke em abril, mais dinheiro não poderia aumentar o crescimento, mas há um risco cada vez maior de que possa acelerar a inflação.

Inflação

O Congresso responsabilizou o Fed em 1978 por minimizar o desemprego e a inflação. Essas metas, no entanto, muitas vezes entram em conflito, e o Fed deixou claro que a inflação é sua prioridade. As autoridades do Fed argumentam que a manutenção de uma inflação lenta e estável forma a base para uma expansão econômica duradoura.

Eric S. Rosengren, presidente do Fed de Boston, disse em uma entrevista recente que o banco havia atingido os limites de uma política responsável. "Fizemos coisas que são bastante incomuns. Estamos usando ferramentas com as quais temos menos experiência", disse Rosengren. "A maioria das críticas diz que estamos tentando acomodar tudo. Essa é uma preocupação sobre a qual temos que pensar”.

Heather Boushey, economista-sênior do Center for American Progress, um grupo de pesquisa liberal, disse que o Fed está muito cautelosos a respeito da inflação e muito insensível a respeito do desemprego. "Temos um problema de desemprego em massa neste país agora. É podre. Não é bom para a nossa economia. Não é bom para a nossa sociedade. E nós temos as ferramentas para consertá-lo", disse. "Certamente precisamos nos preocupar sobre o que pode acontecer no futuro, mas não devemos em primeiro lugar em colocar a economia dos Estados Unidos de volta nos trilhos?"

História

Dez presidentes se candidataram à reeleição desde Roosevelt. Em quatro casos a taxa de desemprego estava acima de 6% no dia da eleição. Três presidentes perderam: Gerald Ford, Jimmy Carter e George H. W. Bush. Mas Ronald Reagan ganhou, apesar de 7,2% de desemprego em novembro de 1984, pois a taxa estava caindo e os eleitores decidiram que ele estava corrigindo o problema.

O governo Obama espera contar uma história semelhante. "Temos realizado algumas das maiores ações políticas para criar empregos que qualquer governo já fez nesse país", disse Jason Furman, diretor-adjunto do Conselho Econômico Nacional, que assessora o presidente na política econômica. Furman disse que a economia ainda está se beneficiando de cortes de impostos implementados no ano passado e dos gastos de estímulo federal que os democratas aprovaram em 2009.

A Casa Branca está promovendo uma série de iniciativas menores, como convencer a China a comprar mais bens e serviços dos Estados Unidos, aumentar a confiança dos empresários na saúde da economia, para estimular novos investimentos e em firmar um acordo com os republicanos para reformar a tributação das empresas.

O governo também está pressionando para renovar o financiamento federal de projetos de transporte com um toque importante: o plano de seis anos seria implementado de forma que US$ 50 bilhões seriam gastos no primeiro ano.

Mas Christina Romer, que dirigiu o Conselho de Assessores Econômicos do presidente até o outono de 2010, disse em um discurso recente na Washington University em St. Louis que o governo não está enfrentando o desemprego com a urgência ou a esperança necessárias. "Urgência porque o desemprego é uma tragédia que não deveria ser tolerada nem mais um minuto", disse ela. "E esperança porque políticas prudentes e possíveis podem fazer uma diferença crucial".

* Por Binyamin Appelbaum

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