Dados sobre a temperatura do mar foram distorcidos por 60 anos

Todo cientista sabe a respeito das distorções em medições, ou dos erros sistemáticos que podem atrapalhar dados. Um exemplo simplista seria uma régua de metal que passa leituras inexatas ao se expandir em temperaturas mais quentes.

The New York Times |

Evitar distorções em medições pode ser impossível. Afinal de contas, ninguém é perfeito, nem mesmo os equipamentos. O que é importante é reconhecer a tendenciosidade e levá-la em conta quando se trabalha com dados.

Mas nem sempre é fácil detectar a distorção. Um caso em voga está sendo relatado em Nature, onde pesquisadores descobriram tendenciosidade na medição de dados de seis décadas atrás sobre temperaturas da superfície global. O problema surge na forma como navios americanos e britânicos mediram a temperatura da água da superfície.

David W.J. Thompson e colegas da Universidade Estadual do Colorado analisaram temperaturas superficiais médias globais de 1880 até o presente, mexendo nos dados para remover os efeitos do El Niño e outros ruídos climáticos, como Thompson os descreveu. Eles descobriram uma súbita queda de 0,5 grau Fahrenheit em 1945, mas apenas em dados coletados no mar, não em terra uma pista de que a queda possa ter alguma relação com as medições.

Naquele momento, navios americanos e britânicos fizeram grande parte da documentação de temperaturas do mar em todo o mundo. Em navios britânicos, as tripulações mediram a temperatura da água do mar coletada em um balde. Mas desde 1939, a maioria dos navios americanos havia trocado o método de coleta por um cano de influxo para resfriamento de motor. Graças ao calor da sala de máquinas, as medições americanas eram geralmente mais altas.

Depois de analisar os dados mais profundamente, diz Thompson, eles perceberam o que havia acontecido. A maioria dos dados na época da guerra veio de navios americanos, com apenas 20% das leituras vindo dos britânicos. Mas desde agosto de 1945, houve uma abrupta mudança. Quase a metade das leituras vinha dos navios britânicos. Como essas leituras eram geralmente mais frias, segundo Thompson, isso conta para a súbita queda na temperatura.

Agora que a distorção foi reconhecida, os pesquisadores precisarão considerá-la em seus modelos e simulações. Mas Thompson diz que a tendência em longo prazo, de temperaturas mais altas, não será afetada.

    Leia tudo sobre: mar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG