'Cronistas de bombas nucleares' se submetem a riscos e aventuras

Radiação, explosão, arremesos e imagens memoráveis formam o legado de quem se arrisca a filmar e fotografar explosões nucleares

The New York Times |

Eles arriscaram suas vidas para capturar centenas de filmes de clarões ofuscantes, bolas de fogo e cogumelos de fumaça. A explosão de uma detonação arremessou um homem e sua câmera em uma vala. Quando ele se levantou, uma segunda explosão o derrubou novamente. Em seguida, houve radiação.

Embora muitos dos cientistas que fizeram bombas atômicas durante a Guerra Fria tornaram-se famosos, os homens que filmaram o que acontecia quando as bombas eram detonadas fazem parte de um grupo mais secreto.

A sua existência e a natureza do seu trabalho surgiu das sombras apenas quando o governo federal americano iniciou alguns anos atrás um esforço concentrado para que seus filmes não fossem mais confidenciais. No total, os cineastas registraram 6.500 filmes em segredo, de acordo com oficiais federais.

The New York Times
Fotografia tirada no exato momento da explosão de bomba atômica, durante teste em Nevada, em 1957
Hoje, o resultado é um número maior de imagens de explosões nas telas de cinema e televisão, bem como o crescimento do conhecimento público sobre os cineastas.

As imagens ficam "queimado na imaginação das pessoas", disse Robert S. Norris, autor de Racing for the Bomb" (Corrida para a bomba, em tradução livre). "Elas testemunham”, ele acrescentou, "um poder extraordinário e aterrorizador".

Documentários

Dois novos documentários, "Countdown to Zero" (Contagem Regressiva ao Zero, em tradução livre) e "Nuclear Tipping Point" (Ponto de Virada Nuclear, em tradução livre), fazem uso de imagens desses arquivo das explosões. Ambos argumentam que a ameaça do terrorismo nuclear está cada vez maior e exigem o reforço das salvaguardas nucleares e, finalmente, a eliminação dos arsenais mundiais.

Quanto aos homens por trás das câmeras, não restaram muitos. "Muitos morreram de câncer", disse George Yoshitake, 82 anos, um dos sobreviventes. "Sem dúvida, por causa das explosões".

Quando originalmente registrados, os filmes serviam como fontes de informação vitais para os cientistas que investigavam a natureza das armas nucleares e sua destrutividade. Alguns filmes também serviam como tutoriais para os líderes federais e do Congresso.

Um livro de 2006, "How to Photograph an Atomic Bomb” (Como Fotografar uma Bomba Atômica, em tradução livre), explora a natureza da função sigilosa dos cinegrafistas, com suas páginas repletas de fotografias antes confidenciais e diagramas técnicos.

The New York Times
Peter Kuran, autor dolivro "How to Photograph an Atomic Bomb," em sua casa em Vancouver, no Estado americano de Washington
"Eles são o tipo de patriotas não reconhecidos", disse Peter Kuran, autor do livro e cineasta de efeitos especiais em Hollywood. "As imagens que eles filmaram serão por muito tempo um registro do nosso século passado".

O Departamento de Energia diz que lançou publicamente cerca de 100 filmes a partir do vasto arsenal mantido pelos controles militares. "O que você vê é o que temos", disse Darwin Morgan, porta-voz do departamento, em Las Vegas.

Uma página no site do departamento de recursos contém links para videoclipes de filmes que os visitantes podem ver de forma gratuita e vende versões completas por US$ 10, mais frete. Eles são chamados de "uma documentação visual duradoura e impressionante do poder de destruição das armas nucleares". Muitos estão disponíveis gratuitamente no YouTube.

*Por William J. Broad

    Leia tudo sobre: bomba nuclearfotógrafosriscoscrônicaseua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG