Crise se espalha e investidores temem recessão mundial

WASHINGTON - Quando a Casa Branca apresentou seu pacote de resgate de US$700 bilhões há duas semanas, seu tamanho almejava acalmar o sistema financeiro global, restaurando a confiança e a certeza. Três dias depois de aprovado, o pacote parece uma pequena pedra jogada num mar revolto.

The New York Times |

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Ainda que o pacote de resgate da gestão Bush ofereça ajuda a bancos estrangeiros, ele parece ter feito pouco para acalmar os investidores, principalmente na Europa, onde bancos estão próximos da falência e inúmeros países correram para evitar a retirada em massa depois de inicialmente menosprezar a profundidade da crise.

Longe de ser a cura dos problemas mundiais, segundo os economistas, o pacote de resgate pode acabar sendo um curativo temporário apenas para os Estados Unidos. Com a Europa dando poucos sinais de uma resposta coordenada à crise, há pouco no horizonte para acalmar os investidores.

A queda vertiginosa nas bolsas de valores de ambos os lados do Atlântico na segunda-feira refletiu não apenas estes medos, afirmaram os especialistas, mas uma crença cada vez maior de que a crise pode levar o mundo a uma recessão globalizada.

De fato, os efeitos do acontecido na Europa e nos Estados Unidos foram amplificados e se espalharam pelos mercados de ações da Rússia, Brasil, Indonésia e Oriente Médio.

Estes países tiveram pouca relação com a crise imobiliária mas ficaram vulneráveis a uma súbita parada do fluxo de dinheiro. A eles falta até mesmo a proteção da cooperação nacional ou regional existentes na Europa e Estados Unidos. Os mercados de ações de países emergentes registraram seu pior dia em 21 anos na segunda-feira, com os negócios na Rússia e Brasil sendo encerrados para evitar pânico entre os investidores.

Mesmo com dezenas de ministros de finanças e banqueiros centrais se encontrando em Washington para a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, o problema é que essas instituições já não têm a autoridade e os recursos para liderar tal esforço.

"A globalização da crise significa que precisamos de uma globalização das respostas", disse C. Fred Bergsten, diretor do Instituto de Economia Internacional Peterson. "Mas a maioria das respostas serão nacionais e ainda que tenhamos muitas instituições, não temos a instituição certa para isso'.

Isso pode ser particularmente verdade na Europa, que tem um banco central efetivo mas não possui a legislatura ou o tesouro unificados que seriam necessários para resgatar um sistema bancário. Até então, segundo os economistas, a resposta da Europa à crise em seus bancos foi marcada por negação e dissensão.

Por MARK LANDLER

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