Crise no Egito faz jihadistas recuarem

Grupos islâmicos extremistas se veem fora da disputa entre militantes pró e contra o presidente Hosni Mubarak

The New York Times |

A ideologia do islamismo radical foi desenvolvida no Egito e seus militantes foram endurecidos nas prisões do presidente autoritário Hosni Mubarak. Mas enquanto os manifestantes antigovernamentais enfrentavam simpatizantes do governo na Praça Tahrir, na quarta-feira, os grupos jihadistas se viram, curiosamente, de fora da disputa.

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Manifestantes contrários ao governo atacam pedras na Praça Tahrir, no Cairo (2/2/2011)
Conforme o governo de Mubarak oscilava, os jihadistas lutavam com o significado de ver um de seus principais adversários atacado por uma rebelião de cuja agenda não compartilham, com uma chapa de possíveis candidatos que não apoiam esperando para tomar o seu lugar.

A ambivalência dos grupos radicais ficou clara esta semana em seus fóruns na web, uma ferramenta central para a organização do movimento , juntamente com as chamadas para que todos usem o caos em sua vantagem. No Muslm.net, um site associado com a Al-Qaeda do Egito, o convite era para que jovens estrangeiros sigam para o Egito para se juntar à jihad.

Em outra parte, publicações na internet encorajavam os jihadistas no Egito a atacar o gasoduto Arish-Ashkelon, que vai para Israel. "Esta é uma oportunidade única para interromper o fornecimento aos israelenses", disse um autor do Fórum Al-Islam Shumukh, de acordo com uma tradução do SITE Intelligence Group, que monitora sites de extremistas.

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Os grupos jihadistas, que protagonizaram caos no Egito no início da década passada, foram amplamente esmagados pelo governo de Mubarak e não gozam de apoio popular. Eles enfrentam desafios estruturais no Egito, onde a Irmandade Muçulmana, uma organização conservadora mas não violenta, forma a oposição política mais conhecida.

De sua posição enfraquecida, alguns jihadistas se esforçam para descobrir qual é o seu papel nos protestos no Cairo.

Em uma publicação no fórum do Ansar Al-Mujahedin, traduzido pelo SITE, um escritor anônimo observou muitas “objeções aos erros e à distância da religião demonstrados pelos manifestantes". Mas ele acrescentou: "É, no entanto, nosso dever não ignorar os benefícios que podem surgir, incluindo um trono vazio. Os jihadistas podem tomar esse trono".

O autor também reconheceu, no entanto, que dentro do movimento jihadista muitos sentem que a substituição de Mubarak por um líder democrático e secular pode significar simplesmente substituir um tirano com laços com os Estados Unidos por outro. "Então, vamos esperar e não nos importar com esses revolucionários contra a injustiça, e nós continuaremos no nosso caminho da jihad e do apoio aos nossos irmãos da guerra santa". Em última análise, "separar o movimento jihadista do movimento muçulmano popular é o fim desse movimento", escreveu ele.

A ambivalência e a retórica confusa refletem a velocidade inesperada do movimento de protesto, disse Brian Fisher, pesquisador de contraterrorismo da Fundação Nova America em Washington, que monitora a Al-Qaeda e outros grupos radicais islâmicos.

"Como todo mundo, eles estão tentando entender um movimento social que não sabiam que existia e do qual não sabiam o tamanho", disse Fisher. "Eles estão sendo oportunistas sobre como querem tirar proveito dos eventos. Estão contando sua própria história sobre os acontecimentos, mesmo que não seja adequada".

*Por John Leland

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