Crise na Grécia força jovens a emigrar

Dívida nacional e escândalos de corrupção política têm deixado muitos jovens gregos desiludidos

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Em duas semanas, Alexandra Mallosi, 29 anos, irá fazer as malas e deixar o tranquilo subúrbio de Holargos, região metropolitana de Atenas, a caminho de Abu Dhabi, nos Emiradores Árabes, onde irá trabalhar como gerente de vendas de um hotel.

Não foi uma decisão difícil. Sua experiência na indústria hoteleira grega a deixou frustrada. "Em outros países, os jovens são incentivados", disse Mallosi. "Na Grécia, são retidos".

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Alex Mallosi, 29 anos, planeja deixar Atenas para trabalhar em um hotel em Abu Dhabi
Como Mallosi, um número cada vez maior de jovens graduados estão deixando a Grécia enquanto um aprofundamento da recessão engasga um mercado de trabalho já restringido por uma arraigada cultura de camaradagem. E as perspectivas para uma recuperação não são boas.

A dívida nacional, estimada em 300 bilhões de euros (quase US$ 400 bilhões), é maior do que o produto interno bruto nacional da Grécia, sugerindo muitos anos de orçamentos austeros pela frente. Além disso, uma série de escândalos de corrupção política têm deixado muitos jovens gregos desiludidos.

Fuga de cérebros

Segundo uma pesquisa publicada no mês passado, sete dentre 10 graduados gregos querem trabalhar no exterior. Quatro em cada 10 estão ativamente à procura de emprego no exterior ou estão buscando formação complementar para obter uma posição no mercado de trabalho estrangeiro. O levantamento, conduzido pela empresa de pesquisas Kapa Research para To Vima, um jornal de centro-esquerda, questionou 5.442 gregos de idades entre 22 e 35 anos.

Alguns, como Mallosi, estão partindo porque acreditam que as portas estão se fechando na Grécia. Para muitos, à procura do primeiro emprego depois da faculdade, as portas nunca se abriram.

Os últimos números oficiais mostram que o desemprego dos 15 aos 24 anos de idade foi de 29,8% em junho, comparado com cerca de 20% na União Europeia. O número grego apresentou uma melhoria em relação aos 32,5% de maio, com o surgimento de empregos de verão, mas ainda está bem acima dos 22,9% do mesmo período no ano anterior.

Para os gregos com idades entre 25 e 34 anos, o desemprego esteve em torno de 16,2% em junho, ante a 11,8% no mesmo período de 2009. A taxa de desemprego global foi de 11,6%, um aumento dos 8,6% registrados anteriormente.

"Hoje as pessoas estão deixando a Grécia não para lavar pratos no Astoria", disse George Pagoulatos, professor adjunto da Universidade de Economia e Administração de Atenas, se referindo a uma comunidade grega em Nova York. "Eles são alunos de pós-graduação em Nova York que escolhem ficar e trabalhar lá".

Segundo Pagoulatos, pode haver uma “fuga de cérebros” se os jovens talentosos não enxergarem perspectivas na Grécia. Ele tem dúvidas, no entanto, sobre as perspectivas em outros países ocidentais, onde o desemprego é um problema também.

A maioria dos economistas concorda que o fluxo de emigração entre os jovens gregos não irá diminuir até que falhas estruturais na economia sejam abordadas e o crescimento retomado. A questão é quanto tempo isso levará.

"As reformas só começarão a mostrar resultados em 2012", disse Pagoulatos. "Com toda essa incerteza, como muitos jovens gregos podem esperar dois anos?"

*Por Niki Kitsantonis

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