Crise financeira faz com que americanos comprem menos remédios

Pela primeira vez em pelo menos uma década, o consumidor americano tenta viver com menos remédios.

The New York Times |

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Ao responder à crise financeira pagando primeiro por itens necessários como comida e moradia, os americanos passaram a comprar menos remédios em todo o país.

"As pessoas agora têm que escolher entre o gás, a comida e os remédios", disse o Dr. James King, presidente da Academia Americana de Médicos de Família, um grupo profissional nacional. Ele também tem sua própria clínica na região rural de Selmer, Tennessee.

"Alguns pacientes me disseram que pararam de tomar o Lipitor, remédio responsável por baixar o colesterol, porque simplesmente não têm dinheiro para comprá-lo", disse King. "Eu tenho pacientes que pararam de tomar seu remédio contra a osteoporose".

Queda nas vendas

Na terça-feira, a gigante farmacêutica Pfizer, fabricante do Lipitor, o remédio mais vendido do mundo, disse que a venda do medicamento nos Estados Unidos caiu 13% no terceiro quadrimestre do ano.

Ao longo de agosto deste ano, o número de remédios vendidos nos Estados Unidos foi menor do que nos primeiros oito meses do ano passado, de acordo com uma análise recente do IMS Health, empresa de pesquisa que acompanha a venda de medicamentos.

Apesar de outros motivos também estarem presentes, como a preocupação em relação à segurança de remédios antes populares e a mudança de alguns medicamentos que passaram a exigir receita, muitos médicos e outros especialistas dizem que a dificuldade financeira é o maior motivo da queda nas vendas.

A tendência, caso continue, pode ter efeitos profundos. Caso muitas pessoas tentem economizar evitando a compra de remédios, situações antes controláveis podem se tornar enormes problemas de saúde.

Eventualmente isso pode aumentar a conta da saúde pública e diminuir o padrão de vida do país.

Martin Schwarzenberger, gerente de contas de 56 que vive em Kansas City, adotou mudanças em sua rotina medicinal. Schwarzenberger, que tem diabetes tipo 1, não cortou a insulina, mas abandonou o uso de vários outros remédios, inclusive do Lipitor.

"Não diga nada a minha mulher, mas se eu tenho pílulas para 30 dias, eu geralmente faço com que durem por 35 ou 40 dias", ele disse.

"Preciso manter a casa e usar o dinheiro para pagar as contas".

Apesar do declínio na compra de remédios não passar de 1%, de acordo com dados do IMS Health, essa é a primeira queda em mais de uma década de crescimento constante, impulsionado pelo envelhecimento da população e a chegada de novos remédios.

O Dr. Timothy Anderson, analista farmacêutico da Sanford C. Bernstein que teve acesso aos dados do IMS e foi o primeiro a anunciar a queda na venda dos remédios na semana passada, afirmou que a queda no volume está "ligada a uma piora no ambiente econômico".

Jack Hoadley, analista de políticas médicas da Universidade de Georgetown, afirmou: "Eles irão dividir as pílulas, tomá-las dia sim, dia não, e farão muitas outras coisas sem consultar seus médicos. Nós conversamos com vários setores da sociedade. Eles olham para seus remédios e dizem: 'Esse é um que eu não preciso realmente'. Eles não deixarão de tomar remédios contra a dor, porque irão se sentir mal.
Mas deixarão de tomar os medicamentos contra o colesterol porque não sentem seu efeito".

Por STEPHANIE SAUL

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