Crise financeira diminui a demanda pelo serviço mais antigo do mundo

PRAGA - Em uma noite recente no Big Sister, que se auto-intitula o maior bordel online do mundo, um homem de meia idade escolheu uma prostituta em um menu eletrônico, usando uma TV de tela plana para analisar idade, cor dos cabelos, peso e língua das mulheres em oferta.

The New York Times |

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Depois de escolher uma morena de 18 anos, ele colocou um obrigatório roupão e seguiu para um dos quartos temáticos do bordel: uma suíte alpina decorada com montanhas de isopor e neve falsa.

Perto dali, na sala de controle, dois jovens técnicos direcionavam as dezenas de câmeras escondidas do quarto para filmar a performance que depois seria transmitida no site do Big Sister.

Os clientes podem fazer sexo de graça no Big Sister, em troca da autorização do uso de sua imagem. Mas mesmo com este incentivo financeiro, Carl Borowitz, cientista da computação de 26 anos que gerencia o marketing do Big Sister, lamenta que a crise financeira tenha diminuído o número de turistas sexuais em Praga.

"O sexo é uma demanda constante, porque todos querem fazer o que costumava ser um tabu. Isso tornava serviços como o nosso ainda mais atraentes", disse Borowitz, que se parece mais com Harry Potter do que Larry Flynt. "Mas o problema hoje é que há muita competição e nossos clientes não têm tanta renda disponível como antes".

Rentabilidade

Na República Tcheca, onde a prostituição opera em uma situação legal duvidosa, a indústria do sexo é um ótimo negócio, gerando quase 400 milhões de euros anualmente, 60% dos quais partem de visitantes estrangeiros, de acordo com a Mag Consulting, uma empresa de pesquisa baseada em Praga que estuda o setor.


Após o início da crise financeira, bordéis de Praga sentem queda no movimento / NYT

O Big Sister não é o único bordel sofrendo os efeitos da economia global. Ainda que a profissão mais antiga do mundo seja um de seus negócios mais resistentes à recessão, os donos de casas de prostituição na Europa e Estados Unidos dizem que a crise financeira tem atingido sua lucrativa indústria.

Egbert Krumeich, gerente do Artemis, o maior bordel de Berlim, disse que novembro, geralmente o melhor mês para os negócios, teve uma queda de 20% na movimentação. Em Reno, Nevada, o famoso Mustang Ranch recentemente demitiu 30% de sua equipe, citando queda na frequência dos clientes com mais dinheiro.

O Big Sister não sofreu tanto quanto seus concorrentes mais tradicionais, uma vez que seu lucro vem amplamente de uma assinatura mensal de 30 euros paga por seus clientes para acessar o site.
Mas Borowitz disse que o Big Sister espera equiparar uma queda de 15% nos lucros no último quadrimestre expandindo suas operações para os Estados Unidos. O bordel também produz programas para TV a cabo que são transmitidos na rede Sky Itália e no canal X da Grã-Bretanha, bem como DVDs como "World Cup Love Truck". 

Ester, uma prostituta de 18 anos do Big Sister que se recusou a informar seu sobrenome, disse que o número de clientes que gastam mais diminuiu, mas que ela ainda ganha quase 2 mil euros por mês (o suficiente para pagar o aluguel e comprar suas favoritas bolsas Louis Vuitton). "Eu faço isso por dinheiro", ela disse, depois de dançar nua em um poste. Ser filmada, de acordo com ela, a faz se sentir mais como uma atriz do que como prostituta. 

Prostituição

Desde a queda do comunismo em 1989, a República Tcheca se tornou o destino de mulheres vindas de países ainda mais distantes como Ucrânia, Rússia, Bielorrússia e Moldova, de acordo com a polícia. 

Por quase vinte anos, milhares de turistas sexuais chegaram a Praga, a bela capital Tcheca, atraídos por serviços eróticos baratos, uma atmosfera de anonimato para clientes e uma cultura tolerante ao adultério. De acordo com a Mag Consulting, 14% dos homens tchecos admitiram ter mantido relações com prostitutas, em comparação a 10% dos homens de outros países europeus.

Dezenas de voos baratos para Praga também garantem o fluxo de jovens em despedidas de solteiro vindos de todo o continente, com diversas aterrissagens apenas da Grã-Bretanha.

Jaromir Beranek, analista da Mag Consulting, disse que quando a Alemanha e a Grã-Bretanha (os dois países que enviam mais turistas a Praga) começaram a estagnar, o turismo sexual passou a sofrer. Segundo ele, a força da coroa tcheca em relação ao euro, o menor poder de gasto e a competição de outras capitais do sexo como Riga e Krakovia ameaçam um dos setores mais proeminentes do país.

"Se você esquia e não há neve, você fica em casa", ele disse. "No sexo a situação é a mesma"

Muitos tchecos estão felizes por ver Praga perder sua reputação como um dos 20 principais destinos do turismo sexual. Mas alguns no setor hoteleiro temem a queda no turismo e pressionam pela legalização da prostituição para atrair ainda mais visitantes.

Ainda que alguns críticos alertem que a legalização iria efetivamente transformar o Estado tcheco no maior cafetão do país, o governo considera copiar a Holanda e a Alemanha regulamentando a prostituição como qualquer outra indústria. O governo considera aprovar até o final do ano uma lei que exigiria que as cerca de 10 mil prostitutas da República Tcheca se registrem com as autoridades locais.

Por DAN BILEFSKY

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