Crise financeira atinge economias antes estáveis da Europa

VARSÓVIA - Os poloneses ficaram chocados na semana passada com a súbita descoberta de que não estão imunes à crise financeira que se espalhou pelo mundo. A queda do mercado de ações local e o drástico enfraquecimento da moeda polonesa mostrou, como em muitos cantos do mundo emergente em rápido crescimento, que eles estavam errados.

The New York Times |

A atmosfera enérgica da Polônia foi abruptamente modificada passando a adotar um tom mais cauteloso. As construtoras de todo o país interromperam projetos de prédios residenciais diante das maiores restrições à empréstimos estabelecidas pelos bancos.

A energia explosiva do país foi substituída por um nervoso acompanhamento da antes potente moeda local, conforme ela caía em relação ao dólar e ao euro. O jornal Dziennik resumiu o clima na sexta-feira com a manchete:

"Bem-vindo aos tempos difíceis", ilustrada com a imagem de uma moeda de zloty partida ao meio. Num país que parecia estar a caminho de ser aceito pelo clube ocidental, a questão nos lábios de todos é: "Por que nós?"

Mercados emergentes que pareciam saudáveis, até mesmo em crescimento, a menos de um mês, começam a perceber que estão em meio a um pânico global. Essa mudança pegou até mesmo os especialistas de surpresa, conforme eles se apegavam aos indicadores econômicos e esqueciam que a fuga de capital quase nunca permite estas distinções.

"Tudo está caindo"

Do antigo bloco comunista da Europa até a América do Sul, o medo e a descrença se misturaram à frustração de que a crise imobiliária americana (que a maioria dos investidores de mercados emergentes evitaram) começa a servir como uma espécie de punição nas mãos indiscriminadas dos mercados capitais.

"Tudo está caindo", disse Lukasz Tync, 28, consultor de tecnologia da informação em Varsóvia, que disse ter ações de 10 companhias e inúmeros investimentos em fundos mútuos que foram atingidos por cinco dias consecutivos de quedas nas ações da Bolsa de Valores de Varsóvia, deixando o índice do país em 12,6% negativos para a semana e mais de - 50% para o ano."Acontece que não há motivo para isso. Tudo não passa de pânico."

Para piorar a situação, o zloty caiu cerca de 17% em relação ao dólar na última semana, e mais de 10% em relação ao euro. A moeda caiu cerca de 30% em relação ao dólar em outubro. Especialistas estão diminuindo as previsões de crescimento para o país.

A Polônia ainda é considerada uma economia relativamente saudável em comparação à Hungria e Ucrânia, que sofrerão mais diante da atual crise. No domingo, ambos os países chegaram a um acordo para empréstimos do FMI e outros tipos de ajudas para evitar a falência financeira. O alarme sobre a situação da Hungria e Ucrânia atingiu a Polônia.

"Há uma semana, as pessoas teriam dito que vivemos num oásis de calma e estabilidade", disse Marek Matraszek, diretor de uma consultoria política no país. "Ninguém esperava que a falta de confiança na Europa Central iria sangrar sobre a Hungria e a Ucrânia", ele disse.

Por NICHOLAS KULISH

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