Crise fará com que mulheres se tornem maioria na força de trabalho americana

Com a recessão se tornando a mais longa da era pós-guerra, outro marco será registrado: as mulheres irão ultrapassar os homens nas folhas de pagamento da nação, se tornando maioria na força de trabalho pela primeira vez na história americana.

The New York Times |

O motivo tem menos a ver com a igualdade entre os sexos do que com as áreas que estão sofrendo cortes por causa da crise.

A proporção de mulheres trabalhando mudou pouco desde que a recessão começou, mas 82% dos cortes atingiram homens, que estão mais presentes nos setores em dificuldades, como manufatura e construção. As mulheres tendem a conseguir empregos em áreas como educação e saúde, que são menos sensíveis aos altos e baixos da economia, e em empregos que permitem mais tempo para os cuidados com os filhos e outras tarefas domésticas.

"Dada a concentração do desemprego entre os homens e o fato das mulheres representarem uma grande proporção da força de trabalho no começo da recessão, elas agora carregam o fardo (ou a oportunidade, poderia-se dizer) de ganhar o pão", disse Heather Boushey, economista sênior do Centro para o Progresso Americano.

Uma profunda e longa recessão pode mudar não apenas os orçamentos e hábitos domésticos, pode também desafiar o papel estabelecido aos sexos há muito tempo.

Em recessões, a percentagem de famílias sustentadas por mulheres tende a aumentar um pouco e isso deve acontecer quando os números deste ano forem analisados. Em novembro, as mulheres tinham 49,1% dos empregos do país, de acordo com informações sobre folhas de pagamento do Departamento de Estatísticas Trabalhistas. Em outra análise, incluindo trabalhadores rurais e autônomos, as mulheres constituem 47,1% da força de trabalho.

Menos benefícios

As mulheres podem estar mais seguras em seus empregos, mas acham mais difícil sustentar uma família. Por um motivo, elas trabalham menos horas do que os homens. Além disso, as mulheres geralmente aceitam trabalhos de período parcial sem assistência médica ou seguro desemprego. Mesmo quando trabalham período integral, as mulheres ganham apenas 80 centavos para cada dólar recebido por seus colegas homens, de acordo com informações do governo.

"Muitos dos empregos que os homens perderam nas indústrias eram ótimos cargos sindicalizados com bons planos de saúde", diz Christine Owens, diretora executiva do Projeto Judicial para a Empregabilidade Nacional. "os empregos que as mulheres têm (e usam para sustentar suas famílias) não são necessariamente tão bons".

Por CATHERINE RAMPELL

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