Crise europeia pode dificultar recuperação dos EUA

Dificuldades econômicas da Europa começam a procupar americanos

The New York Times |

Poucos meses depois de a maioria dos economistas prever que a recessão podia ser vista seguramente pelo espelho retrovisor, a crise fiscal europeia apresenta um preocupante novo desafio para a economia americana.

Poucos economistas preveem que os Estados Unidos podem entrar novamente em recessão tão cedo. Mas uma economia americana ainda enfraquecida pode ser desacelerada por seus abalados aliados e parceiros comerciais europeus.

Mesmo os otimistas questionam se os Estados Unidos terão uma recuperação mais lenta e turbulenta do que o esperado.

“Uma recessão dupla é um risco genuíno – eu diria que agora de 20%, em comparação a 5% de algumas semanas atrás”, disse Robert J. Barbera, economista da ITG, que tem feito boas previsões para a economia americana. “Nós temos alguns problemas crônicos na Europa, mas não vejo isso nos levando a um contágio no estilo Lehman”.

Pode ser que sim, mas quedas vertiginosas nos mercados de ações, ameaças da Coreia do Norte e uma economia americana que passa sinais ambíguos fazem com que os economistas avancem com cautela.

Raramente tantos bancos centrais adotaram tantas medidas extraordinárias para impedir colapsos bancários e nacionais. O cuidado em relação ao que fazem é palpável.

Mas também há dúvidas persistentes sobre a força e sustentabilidade da recuperação americana – dúvidas que parecem ainda mais importantes diante das dificuldades na Europa.

A economia americana tem parecido melhor ultimamente, com o aumento dos gastos dos consumidores e uma queda drástica nas dívidas. O setor manufatureiro voltou a contratar e os banqueiros estão reagindo – ainda que não tenham retomado os empréstimos nos níveis anteriores.

Barbera especula que o comportamento instável da coleta de dados federais não dá o devido peso às contratações. “Todas as medições da produção industrial estão melhores do que o esperado”, ele disse.

Mas governos estaduais, da Califórnia a Nova Jersey e Nova York, estão preparando cortes de gastos draconianos, com previsões de demissões de centenas de milhares de funcionários públicos estaduais.

A disponibilidade de imóveis residenciais continua crescendo e os preços continuam caindo. E as grandes empresas ainda não começaram a contratar em números significativos; as fileiras de desempregados de longa data incharam de forma não que não era vista há décadas.

“Esta é uma das recuperações econômicas mais frágeis da história”, disse David Rosenberg, economista da firma de investimento Gluskin Sheff.

A salvação pode vir de cantos inesperados. Os Estados Unidos, nas palavras do presidente do Federal Reserve de Saint Louis, poderiam “se beneficiar involuntariamente da crise na Europa”.

Os índices de juros americanos caíram nos últimos dias, conforme os investidores parecem buscar refúgio em títulos do Tesouro. Além disso, suspeitas de uma desaceleração causaram queda no preço do petróleo, o que ajuda o consumidor americano.

Mas também há um risco aqui. A injeção de tanto dinheiro em uma nação pode ser como injetar adrenalina em um paciente doente, mascarando a presença de uma infecção.

Por Michael Powell

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