líder mais popular do mundo, que sobreviveu escândalo após escândalo apenas para ver seu índice de aprovação aumentar cada vez mais. Mas com a desaceleração da produção industrial e o aumento do desemprego, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil pode revelar rachaduras na sua aparentemente impenetrável armadura, segundo os analistas." / Teflon - New York Times - iG" / líder mais popular do mundo, que sobreviveu escândalo após escândalo apenas para ver seu índice de aprovação aumentar cada vez mais. Mas com a desaceleração da produção industrial e o aumento do desemprego, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil pode revelar rachaduras na sua aparentemente impenetrável armadura, segundo os analistas." /

Crise econômica dá a Lula o apelido de presidente Teflon

RIO DE JANEIRO, Brasil - Ele foi chamado de presidente Teflon, o http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2009/04/02/obama+diz+que+lula+e+o+politico+mais+popular+na+terra+5284913.html target=_toplíder mais popular do mundo, que sobreviveu escândalo após escândalo apenas para ver seu índice de aprovação aumentar cada vez mais. Mas com a desaceleração da produção industrial e o aumento do desemprego, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil pode revelar rachaduras na sua aparentemente impenetrável armadura, segundo os analistas.

The New York Times |

Ao subir ao palco mundial na cúpula do Grupo dos 20 em Londres esta semana, ele enfrenta crescentes desafios à sua ascendente popularidade doméstica e talvez a seu status como um dos principais defensores do mundo em desenvolvimento. 

Ao menos três pesquisas mostrando uma queda recente em seu índice de aprovação e uma onda de controvérsias a respeito de comentários que fez na semana passada, nos quais culpou a crise econômica em "pessoas brancas de olhos azuis", podem ser sinais de que Lula é mortal afinal de contas, afirmam os especialistas.

"A perspectiva de que os lucros econômicos e sociais do Brasil podem ser prejudicados pela crise mundial pode muito bem manchar uma presidência de dois mandatos enormemente bem-sucedidos", disse Julia E. Sweig, diretora de Estudos Latino-Americanos do Conselho de Relações Exteriores.

Lula ainda tem seguidores de fazer inveja em casa, mas se crise econômica continuar, ela pode prejudicar este apoio ainda mais e limitar sua habilidade de passar a presidência em 2010 a sua escolhida, Dilma Rousseff, atual chefe de sua equipe, dizem os analistas.

Na cúpula econômica desta semana, Lula buscou estabelecer o Brasil como uma potência mundial, mas "o truque em Londres será atingir os pontos necessários e estabelecer a liderança brasileira sem atrair desprezo demais daqueles a seu redor", disse Sweig. 

Na semana passada, Lula atraiu o suficiente. A crise econômica, segundo ele, foi causada pelo "comportamento irracional de pessoas brancas de olhos azuis, que antes pareciam saber tudo e agora mostraram que não sabem nada". 

Os comentários poderiam ter causado apenas um certo desconforto diante de líderes latino-americanos, que criticaram com afinco os banqueiros americanos e europeus. Mas eles foram feitos em Brasília ao lado do primeiro-ministro britânico Gordon Brown e geraram tumulto no país e no exterior. 

"Esta foi a oportunidade de Lula mostrar que ele tem uma voz de liderança razoável e respeitosa", disse Amaury de Souza, analista político que comanda a MCM Consultants no Rio de Janeiro. "Agora ele pode ser acusado de racismo, o que enfraquece a posição do Brasil na política externa". 

Alguns analistas sugerem que o presidente brasileiro, como geralmente faz, fez os comentários em defesa da classe pobre trabalhadora, de onde consegue seu apoio. Mas ele também tocou uma ferida aberta na elite brasileira, que ressente a popularidade de Lula, um ex-metalúrgico com pouca educação formal. 

Esta não foi a primeira vez que ele demonstrou sua raiva a respeito da crise. Depois de gastar quase uma década no crescimento de sua economia, controle da inflação e economizando mais de US$ 200 bilhões durante a explosão dos commodities, o Brasil era visto como um modelo no mundo econômico. 

"O desejo do Brasil de ser considerado uma potência econômica é parte desta frustração de Lula", disse Johanna Mendelson-Forman, associada sênior do programa para as Américas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. "É como se ele dissesse, 'Eu fui lá e construí uma potência econômica e o mundo a destrói'". 

Conforme a crise econômica se desenrolava nos Estados Unidos e Europa no outono passado, Lula negava a possibilidade de que seu país seria afetado.  "Lá fora a crise é um tsunami", ele disse em outubro. "Aqui, se atingir, será uma ondinha, não grande o suficiente para o surfe". 

Mas agora a economia brasileira sofre. O PIB caiu 3,6% no último quadrimestre de 2008 em relação ao terceiro, a pior queda de qualquer país da América Latina no período. O país perdeu 654.946 empregos em dezembro de 2008, e 101.748 em janeiro deste ano, de acordo com o Ministério do Trabalho. 

O impacto é sentido na política. Em março, Lula sofreu sua primeira queda de popularidade em um ano.

Seu índice de aprovação em algumas pesquisas ainda é impressionante, se mantendo acima de 70%, mas ele pode cair para menos de 50% se a situação econômica persistir, disse David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília.

A equipe de Lula impressionou alguns economistas com suas tentativas de evitar que a situação piore. Apesar da recente queda de popularidade, poucos rejeitam Lula, um dos políticos mais resistentes do Brasil.

Em 2006 ele saiu de um escândalo político para vencer seu segundo mandato. Então a Suprema Corte acusou dois de seus principais assistentes de corrupção em 2007, mas isso não afetou a popularidade do presidente, que continuou a crescer.

Mesmo na cúpula de Londres seu status parecia segui-lo.

Uma organização de notícias brasileira mostrou um vídeo no qual o presidente Barack Obama cumprimenta Lula. " Este é o cara, aqui ", disse Obama. "Eu adoro este cara. Ele é o político mais popular da Terra".

- ALEXEI BARRIONUEVO

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