Crimes políticos mostram que o suborno está ultrapassado

NOVA YORK - O crime em Nova York, como todos sabem, está muito menor do que há alguns anos. Infelizmente, nossos políticos resolveram assumir essa defasagem.

The New York Times |

Nos últimos anos, cada vez mais políticos eleitos em Nova York passaram por investigação, acusação, condenação e prisão por uma ampla gama de crimes. Nós os vimos acusados de crimes sexuais e de dirigir sob influência de bebidas alcoólicas. Um de nossos senadores foi acusado de bater em um policial e outro de jogar café quente em um assistente. Uma de nossas vereadoras perseguiu um ex-namorado e um vereador roubou dinheiro de times da Liga Infantil.

A situação é suficiente para que tenhamos saudade dos tempos em que os políticos se restringiam a crimes tradicionais, como o suborno e a facilitação de contratos do governo (não que esses atos tenham deixado de existir). Chegamos a um ponto onde talvez tenhamos que colocar números nas costas das autoridades para mantê-los numa linha reta. Talvez assim seja mais fácil perceber quais são os que saem da linha.

A quantidade de políticos de Nova York que andou pelo lado dúbio da lei, que tenham sido condenados ou apenas emprisionados, é impressionante. Entre eles estão nomes facilmente reconhecíveis mesmo por pessoas que não acompanham assiduamente a política local, pessoas como Alan G. Hevesi, Brian M. McLaughlin, Dennis P. Gallagher, Guy J. Velella, Clarence Norman, Diane Gordon, Kevin S. Parker, Adam Clayton Powell IV, Ada L. Smith, Efrain Gonzalez Jr., Gloria Davis, Roger Green, Karim Camara e John D. Sabini.

Há ainda os que passam por investigação em andamento, como Joseph L. Bruno e Christine C. Quinn. Ah, quase esquecemos: também há o caríssimo Spitzer.

O último a entrar nessa galeria de foras da lei é o republicano Vito J. Fossella de Staten Island e Brooklyn, que foi preso alguns dias atrás em Virgínia subúrbio de Washington por dirigir bêbado. O nível de álcool em seu sangue, segundo a polícia, era de 0.17%, mais do dobro permitido pela lei local.

Ele estava tão embriagado que teve problemas em citar o alfabeto, disseram. É preciso estar muito bêbado para isso. mas talvez, para ser caridoso, ele não tenha passado por um teste confiável. Os policiais disseram que ele se entregou quando teve que pronunciar as letras entre D e T. Mas pode ser que o político, um republicano conservador, tenha saído do normal por ter sido ordenado a começar pela letra D. Sem dúvida, D automaticamente significa Democrata para ele. O pedido pode deixado-o nervoso. Veja bem, isso pode acontecer com qualquer um.

Fossella pode ter que passar cinco dias na prisão caso seja condenado. Nada bom. Pior ainda para ele é que seu futuro político está em risco. Não é recomendável a um político que seja reconhecível nas manchetes de tablóides como Vino Fossella.

Também não é bom se as pessoas questionam se em vino veritas. Por um motivo, o político parece ter dado informações diferentes à polícia e à imprensa sobre para onde ia quando foi parado pela polícia.

Com tantos políticos prestes a trocar paletós por macacões laranjas estamos vendo mais crimes do que nunca?

Não necessariamente.

No século 19, o Comitê de Aldermen, precursor do Conselho Municipal, era rotineiramente chamado de "os 40 ladrões". Os anos 1980 também foram cheios de escândalos na nossa cidade, que desfez carreiras e levou Donald R. Manes, presidente do distrito do Queens, ao suicídio. "Era uma outra forma de corrupção" naquela época, disse Hank Sheinkopf, consultor político . "Era uma corrupção esperada. Eles eram chefes e era isso que os chefes faziam".

Sheinkopf e Norman Adler, outro consultor político, concordam que os políticos de hoje precisam lidar com promotores federais e estaduais que são muito mais agressivos do que seus predecessores na perseguição de erros na política. A internet também torna mais difícil manter segredos.

"A blogosfera é comparável", disse Adler, à multiplicidade de jornais que há um século rastreavam escândalos para ganhar a disputa pela circulação.

Foi difícil, no entanto, ouvir Adler falar sobre como, da mesma forma que antigamente, "ainda temos os políticos que merecemos". Oops.

Mas vejamos o lado positivo. Em termos de gênero, raça e etnia, "agora temos maior diversidade de criminalidade e estupidez pública", disse Douglas A. Muzzio, professor da Faculdade de Assuntos Pùblicos Baruch.

Viu? Estamos progredindo.

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