Crime organizado ¿lava com sangue¿ cidade mexicana na fronteira

CIUDAD JUAREZ, México ¿ Um sinal do desespero em liquidar o crime organizado nesta cidade fronteiriça é o fato que o chamado ¿bom moço¿, nos cartazes de recrutamento da polícia não, é um menino limpo e bem vestido, mas um soldado ameaçador com uma máscara preta, carregando uma metralhadora pesada.

The New York Times |

O cartaz é uma resposta do governo a outra forma de alerta, deixado no último mês de janeiro na base de um monumento policial de honra: uma lista feita a mão com o nome de 22 policiais, cinco dos quais já mortos nas ruas da cidade. O sinal alertava que outros seriam mortos, caso não aprendessem a lição. No total, oito policiais foram assassinados aqui neste ano e dois ainda se encontram desaparecidos.

Mesmo com as tendências violentas desta pequena cidade do deserto, onde traficantes de drogas há tempos enviam cargas pelo Rio Grande e inúmeros casos de assassinatos de mulheres ganham atenção internacional, os últimos três meses têm sido varridos por um banho de sangue, dizem autoridades.

O combate travado entre cartéis de drogas já matou mais 210 pessoas nos primeiros três meses deste ano. Muitos dos assassinados eram pistoleiros de fora da cidade. O número de homicídios de 2008 é quase o dobro do registrado no mesmo período do último ano. Várias valas comuns com 36 corpos foram descobertas em jardins de casas alugadas por traficantes.

Durante o ápice da violência, na época da Páscoa, corpos eram descobertos todas as manhãs, uma média de aproximadamente 12 por semana.

O governo municipal e o Estado não são capazes de combater o crime organizado, disse em entrevista o prefeito Jose Reyes Ferriz.

No fim do mês de março, o presidente Felipe Calderon enviou 2,026 soldados e mais de 400 agentes federais, que continuam a patrulhar os comboios de Humvees e caminhões. Mas até eles se sentem intimidados. Nenhum deles mostra seu rosto e usam máscaras de ski.

O mortuário tem mais de 50 corpos não-identificados, prova de que os atiradores da guerra vieram de outros estados, diz o prefeito.

Informações sobre quem combate quem são muito difíceis.

O chefe da polícia local, Guilermo Prieto Quintana, declarou ignorar o conflito, mesmo que tenha exercido o cargo oficial há mais de 30 anos. Ele reconheceu corrupção entre a brigada de polícia de 1600 membros do local, devido à falta de oportunidade e baixa renda local. Enquanto o trabalho secundário existir, esta corrupção também vai.

Desde o fim dos anos 80, o tráfico de drogas em Ciudad Juarez é controlado por um grupo conhecido como Cartel Juarez, liderado por Vincente Carrillo Fuentes desde a morta de seu irmão Amado em 1997.

A recente violência é resultado de um conflito entre dois antigos aliados. De um lado está Carrilo Fuentes e sua figura local imponente, José Luís Ledezma, conhecido como JL. Do outro lado estão os traficantes do Estado de Sinaloa, dirigidos por Joaquin Guzman e Ismael Zambada, disse um promotor federal, que, assim como outros, concedeu a entrevista sob condições de anonimato.

Uma teoria sustenta que a tensão eclodida em dezembro, quando Zambada se recusou a pagar taxas de transações de drogas para Juarez Cartal feitas em uma região que detém controle.

-James C. McKinley Jr.

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