Cresce o número de ataques contra funcionários da ONU, aponta relatório

Os funcionários das Nações Unidas espalhados pelo mundo estão mais vulneráveis a ataques, pois a organização é percebida por alguns mais como um lugar com membros poderosos que uma advogada imparcial de todas as nações, disse Lakhdar Brahimi, diplomata que desenvolveu um relatório global sobre a segurança dos funcionários da ONU.

The New York Times |

O estudo, conduzido por uma equipe de sete membros depois que 17 funcionários da organização foram mortos em um bombardeio em Algiers, Argélia, em dezembro do ano passado, concluiu que nem a organização nem seus membros perceberam de maneira completa a mudança, disse Brahimi.

Todos nós que trabalhamos para a ONU continuamos a achar que somos pessoas boas, e que só com a bandeira da organização estamos protegidos não importa onde vamos, acrescentou. Precisamos perceber que a bandeira não é proteção suficiente. 

Sobre os ataques na Argélia, o relatório aponta o sistema da Organização como aquém do esperado. Ameaças contra a ONU na Argélia tiveram início em 2006, apontou o relatório, e o chefe de segurança do escritório na Argélia percebeu o perigo, mas fez pouco em relação ao assunto ao não contatar o escritório de Nova York de maneira eficaz e nem estabelecer contato com as autoridades da Argélia. 

Na última semana, David Veness, subsecretário geral para segurança, entregou o cargo, assumindo a responsabilidade pela deficiência apontada no relatório entregue no início de junho. O Secretário geral Ban Ki-moon aceitou a demissão imediatamente.

Veness assumiu o posto quando o departamento foi formado, logo depois do ataque suicida em Bagdá que matou 22 membros da ONU incluindo o brasileiro Sérgio Vieira de Melo, chefe da missão no país.

John Sawers, embaixador britânico para as Nações Unidas, questionou segunda-feira, 30, se a equipe de segurança analisou a fundo a responsabilidade do governo da Argélia em prevenir o ataque, particularmente porque Brahimi é ex-ministro argeliano. 

Brahimi disse que seu objetivo foi avaliar a segurança como um todo e não achar um culpado pelo ataque. Obviamente as coisas saíram erradas, ele disse, mas o governo argeliano fez um ótimo trabalho protegendo os funcionários do ONU durante os 15 anos de guerra civil, quando estrangeiros eram sempre visados.

Ban, seguindo uma recomendação da equipe de estudo, designou um grupo para examinar a responsabilidade pela defasagem na Organização. 

Brahimi disse que as Nações Unidas devem explorar uma maneira de deixar claro sua preocupação com a segurança de seus funcionários em países específicos onde atua, dado que essa preocupação pode ter impactos econômicos.    

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